Merz admite 'choque' por vitória da extrema direita e promete 'reformas'

AfD está perto de assumir o governo do estado da Saxônia-Anhalt

7 set 2026 - 14h27
(atualizado às 14h41)
Resumo
O chanceler alemão Friedrich Merz admitiu choque com a derrota histórica da CDU para a extrema direita (AfD) na Saxônia-Anhalt, prometendo reformas para recuperar o eleitorado, sem renunciar ao cargo. Com 43,8% dos votos contra 17,2% da CDU, a AfD conquistou 39 das 83 cadeiras locais e busca alianças, principalmente com a populista BSW, para alcançar a maioria e governar o estado. O avanço inédito da ultradireita ao poder regional desde a era nazista intensificou a crise política e a pressão sobre Merz.

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, admitiu nesta segunda-feira (7) que está "profundamente chocado" com a vitória da extrema direita nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt e prometeu um pacote de reformas para recuperar a confiança dos eleitores.

Friedrich Merz prometeu medidas para conter avanço da extrema direita
Friedrich Merz prometeu medidas para conter avanço da extrema direita
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

"Estamos profundamente chocados. Não esperávamos um resultado desses, mas precisamos aceitá-lo. São as regras da nossa democracia", afirmou, após reunião da cúpula de seu partido, a União Democrata Cristã (CDU), de centro-direita, em Berlim.

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"Devo admitir: esta é a derrota eleitoral mais devastadora que a CDU sofreu em décadas", acrescentou Merz. Segundo resultados preliminares, a sigla de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou 43,8% dos votos, enquanto os democratas cristãos, historicamente hegemônicos na Saxônia-Anhalt, ficaram com 17,2%, menos da metade do que haviam obtido no pleito anterior.

O chanceler reconheceu que a CDU não conseguiu "estabelecer contato emocional com as pessoas" e que o fracasso terá repercussões nacionais e internacionais. "Não é só a Saxônia-Anhalt que mudou ontem. Toda a Alemanha mudou. Nosso partido está abalado nas bases", salientou.

Apesar da pressão por causa do avanço da extrema direita sob seu governo, o impopular Merz descartou deixar o cargo.

"Desistir não é uma opção para mim", declarou ele ao ser questionado sobre o futuro de sua liderança. "Estou refletindo intensamente sobre como podemos reencontrar o caminho do sucesso político compartilhado. Sei que todos nós precisamos melhorar", destacou.

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Segundo ele, o país "precisa de reformas fundamentais" para dar oportunidades a "nossos filhos e netos". "Não se trata apenas de compreensão racional, mas também de empatia e emoção.

Não sou uma pessoa que ostenta as próprias emoções a cada dia, mas a opinião pública quer respostas diferentes, quer saber por que estamos fazendo tudo isso. Precisamos fazê-lo para que em 2030 possamos ainda viver em liberdade, paz e segurança na Alemanha", salientou. Além disso, Merz garantiu que o país "manterá a ordem política" e a "ancoragem na Europa".

Mudança de poder

Ao lado do chanceler, o governador da Saxônia-Anhalt, Sven Schulze, admitiu que o partido "não tem mais mandato" para governar o estado, prerrogativa que agora cabe à AfD. A legenda de ultradireita, no entanto, não possui maioria suficiente no Parlamento local e precisará buscar alianças.

"Vamos enviar propostas de diálogo a todos os partidos. Veremos quem nos estenderá a mão", afirmou o copresidente da AfD, Tino Chrupalla. Já Ulrich Siegmund, líder do partido na Saxônia-Anhalt, disse que não está "construindo muros" e que passou "os últimos 10 anos estendendo a mão".

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Por sua vez, a líder nacional da AfD, Alice Weidel, descreveu Merz como "o chanceler mais impopular da história" e declarou que a Alemanha "está falida". "Quando governarmos, fecharemos as fronteiras", prometeu.

O partido deve ficar com 39 das 83 cadeiras no Parlamento estadual da Saxônia-Anhalt, três a menos do que o necessário para assegurar maioria. A principal candidata a se aliar à AfD é a Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), sigla populista que combina visões de esquerda na economia e posições conservadoras em temas sociais.

A BSW deve obter cinco assentos, o que seria o bastante para levar a extrema direita ao poder em um estado alemão pela primeira vez desde a era nazista.

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