Protestos contra o alto custo de vida, gastos militares e por melhorias no ensino geraram confrontos entre estudantes e a polícia na Europa neste sábado. Na Itália, cidades como Turim, Milão, Florença e Bolonha registraram tumultos, violência e dispersão com gás lacrimogêneo e jatos d'água. Na França, manifestações reuniram centenas de milhares em Paris, Bordéus e Marselha, resultando em choques com as forças de segurança que terminaram com pelo menos 135 pessoas detidas em todo o país.
Manifestantes e agentes das forças de segurança voltaram a se confrontar neste sábado (24) em diversas cidades italianas e em outras partes da Europa, em meio ao movimento estudantil que tomou conta do continente ao protestar por melhores condições de ensino, aos gastos militares e ao alto custo de vida.
Turim foi uma das primeiras localidades na Itália a registrar momentos de tensão, quando participantes do protesto - alguns com os rostos cobertos - lançaram objetos contra os policiais nas proximidades da Piazza Castello, no centro da capital piemontesa. Na Ponte Mosca, houve arremessos de garrafas e de sinalizadores contra as forças de ordem, que reagiram com gás lacrimogêneo.
O mesmo se deu em Milão, onde milhares de manifestantes ? em sua maioria estudantes universitários ? entraram em choque com as forças de segurança perto do Corso Venezia. Em meio ao tumulto, a marcha foi interrompida nas proximidades da Via Borghetto. Vários estabelecimentos comerciais fecharam as portas por medo da violência.
Em Florença, após a polícia barrar o acesso dos participantes do protesto à Via Tornabuoni, que leva à famosa Ponte Vecchio, houve embates físicos entre os dois lados, com o arremesso de objetos por parte dos manifestantes e o uso de cassetetes pelos agentes.
Na capital da Emilia-Romagna, onde um milhão de pessoas aderiram ao movimento, os policiais empurraram os manifestantes na Piazza dei Martiri enquanto o grupo se dirigia à Via Marconi.
Pouco antes, alguns membros do protesto em Bolonha lançaram garrafas e fogos de artifício contra as forças de segurança, que reagiram com jatos de água para dispersar a multidão, além de gás lacrimogêneo. Um jovem ferido foi levado de ambulância ao hospital.
Além da Itália, a França também viveu um sábado de tensão, que mobilizou cerca de 800 mil pessoas pelo país, segundo o sindicato trabalhista Ctg, e 410 mil manifestantes, no balanço do Ministério do Interior. Em Paris, a polícia contabilizou por volta de 110 mil participantes, enquanto Ctg estimou 250 mil.
Os primeiros confrontos na capital francesa eclodiram quando o grupo principal da marcha chegou ao seu destino, a Porte de Vincennes. O protesto, que permaneceu pacífico durante toda a caminhada, tornou-se violento quando indivíduos agressivos, com os rostos cobertos, se infiltraram na multidão passiva. Em meio à confusão, os policiais utilizaram gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar os manifestantes.
De acordo com a polícia, os atos violentos em Paris envolveram mais de 500 pessoas na Porte de Vincennes.
As cidades de Bordeaux e Marselha também registram confrontos durante os protestos. Na primeira, enquanto os manifestantes soltavam foguetes, pedras e outros objetos, os policiais dispararam gás lacrimogêneo. Já em Marselha, a marcha se desviou do trajeto planejado, saindo do controle das forças de ordem.
Segundo o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, ao menos 135 pessoas foram detidas em todo o país neste sábado durante os protestos. Ele informou que grande parte dos detidos está ligado "ao monitoramento de multidões e à apreensão de objetos que seriam usados como armas improvisadas".