Cerca de 1.200 palestinos são deslocados em Hebron com início de operação militar israelense

24 out 2026 - 14h05
Resumo
Após o assassinato de dois soldados em um posto de controle, o exército israelense iniciou uma grande operação em Hebron, na Cisjordânia, forçando o deslocamento de cerca de 1.200 palestinos e ameaçando outros 1.300. A ação militar inclui demolições, prisões e bloqueios de vias sob a justificativa de buscar armas e militantes. Autoridades palestinas acusam a ação de punição coletiva desproporcional, motivada por interesses eleitorais da coalizão de direita do premiê Benjamin Netanyahu.

O exército israelense obrigou cerca de 1.200 ‌palestinos a deixarem suas casas em Hebron, na Cisjordânia ocupada, informou uma autoridade palestina neste sábado, um dia após um ataque palestino matar dois soldados israelenses.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, havia anunciado na sexta-feira que os militares lançariam uma operação de grande escala após a morte dos soldados, atingidos quando dois homens ⁠armados palestinos abriram fogo contra um posto de controle militar próximo à cidade. ‌O Exército israelense informou que os atiradores foram mortos.

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Os militares também afirmaram que a operação nos bairros de Al-Jaladah e Ein Deir Baha, próximos ao posto ‌de controle na entrada de Hebron, tinha como ‌objetivo procurar militantes e armas. Em comunicado, disseram ainda que realizariam demolições.

A ⁠Autoridade Palestina criticou a operação, classificando-a como uma "punição coletiva".

Yousef Zouhair Al-Jabari, chefe da prefeitura de Hebron, disse que cerca de 1.300 pessoas corriam o risco de perder suas casas, além das 1.200 já deslocadas.

Ele afirmou ainda que as operações israelenses foram motivadas pelas eleições parlamentares de terça-feira, nas quais a coalizão de ‌direita de Netanyahu pode perder sua maioria, segundo pesquisas de opinião.

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"Netanyahu e os ministros ‌radicais de seu governo estão ⁠tentando conquistar o ⁠maior número possível de votos dos colonos", disse Al-Jabari.

A organização não governamental Clube dos Prisioneiros ⁠Palestinos informou que as forças israelenses prenderam ‌cerca de 70 palestinos na ‌sexta-feira e no sábado. Autoridades israelenses não comentaram as supostas detenções.

ASSENTAMENTOS

Al-Jabari afirmou que os militares demoliram lojas, fábricas, residências e estradas em Hebron e que a resposta foi desproporcional e injustificada.

Moradores de Hebron disseram à Reuters ⁠que os militares expulsaram muitas pessoas sem qualquer ligação com os autores do ataque palestino.

"Estamos pedindo às autoridades que nos apoiem porque não temos envolvimento algum com isso. Há crianças. Estamos isolados; não fazemos nada. Tudo isso é arbitrário", disse Majdi Nasser, um dos moradores retirados ‌de sua casa.

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Moradores relataram à Reuters ter visto soldados israelenses marcando casas com um "X" preto após seus ocupantes palestinos terem sido forçados a sair. Não ⁠ficou imediatamente claro o significado da marcação.

O governo Netanyahu supervisionou uma rápida expansão dos assentamentos na Cisjordânia, considerados ilegais por órgãos da ONU e pela maioria dos países, embora Israel conteste essa avaliação.

Em toda a Cisjordânia, Israel bloqueou as entradas da maioria das cidades e vilas palestinas, restringindo severamente a liberdade de movimento dos palestinos.

Yousef Mur, morador da cidade palestina de Yatta, disse que os bloqueios o impediram de chegar a Jerusalém com sua filha para tratamento contra o câncer.

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"A situação é ruim e estamos sofrendo. Quando tentamos atravessar, eles lançaram granadas de efeito moral em nossa direção, e minha filha ficou assustada no caminho. Lançaram granadas de efeito moral contra as pessoas. A situação é muito difícil", afirmou Mur.

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