O vencedor da eleição húngara, Péter Magyar, prometeu na segunda-feira mudar a constituição em um esforço para restaurar os padrões democráticos, após uma vitória esmagadora que, segundo ele, mostrou que a Hungria quer estar totalmente ancorada na Europa após anos de luta contra Bruxelas.
A supermaioria de dois terços que o partido de centro-direita Tisza, de Magyar, obteve na eleição de domingo significa que ele terá carta branca para fortalecer o estado de direito e potencialmente liberar bilhões em financiamento da União Europeia, mas analistas dizem que ele terá que realmente realizar reformas para colher os benefícios.
O primeiro-ministro nacionalista Viktor Orbán, que está no poder há 16 anos, afastou a Hungria da corrente principal da UE e manteve laços calorosos com a Rússia, apesar da guerra na Ucrânia. Ele entrou em conflito repetidamente com Bruxelas sobre o estado de direito e os direitos humanos, resultando no congelamento de bilhões de euros em fundos.
Magyar disse em uma coletiva de imprensa que seu governo terá muitas tarefas urgentes, incluindo a alteração da constituição para limitar a dois o número de mandatos de um primeiro-ministro.
"Faremos tudo para restaurar o estado de direito, a democracia plural e o sistema de freios e contrapesos", declarou ele.
Magyar disse que a emenda constitucional se aplicaria a Orbán, o que significa que ele não poderá se tornar primeiro-ministro novamente.
"Ele teve uma grande oportunidade de fazer grandes coisas no interesse nacional para garantir que a Hungria se tornasse um país europeu em desenvolvimento... Ele não usou essa chance, mas abusou dela", afirmou.
Os críticos de Orbán dizem que o período em que ele esteve no cargo foi marcado por estagnação econômica, isolamento internacional e acumulação de riqueza por parte dos oligarcas. Seus partidários dizem que Orbán -- que obteve apoio público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, da Rússia e de líderes de extrema-direita da Europa -- defendeu a soberania e os valores tradicionais da Hungria.
MAGYAR PEDE RÁPIDA TRANSFERÊNCIA DE PODER
Magyar disse que o resultado da eleição mostrou que a Hungria havia decidido "mudar o regime" e escolher um caminho pró-europeu.
"O povo húngaro ontem, exatamente 23 anos após o referendo sobre nossa adesão à UE, confirmou o lugar da Hungria na Europa", declarou ele.
O líder do Tisza pediu ao presidente Tamas Sulyok, que é apoiado pelo partido Fidesz, de Orbán, para garantir que a transferência de poder ocorra o mais rápido possível. Ele também reiterou sua demanda para que Sulyok renuncie.
O presidente da Hungria, uma figura amplamente cerimonial, precisa convocar um novo Parlamento dentro de 30 dias após a eleição.