O procurador-chefe de Palermo, Maurizio de Lucia, afirmou nesta terça-feira (28) que a máfia siciliana está buscando adquirir drones semelhantes aos utilizados na guerra da Ucrânia, a partir do dinheiro obtido com o tráfico de drogas em aliança com cartéis sul-americanos.
A declaração foi feita durante depoimento à Comissão Antimáfia do Parlamento da Itália. "Encontramos armas originárias de Salento [na Puglia], mas que na verdade vieram dos Bálcãs - da ex-Iugoslávia", disse De Lucia.
"Mas estamos cientes do interesse da máfia em armas mais sofisticadas. Por exemplo, aquelas que surgiram no mercado clandestino durante a guerra Rússia-Ucrânia. Temos indícios de compras de drones lançadores de minas - armas contra as quais estamos despreparados para nos defender. Há uma tentativa de reconstruir um arsenal de alta qualidade. Isso é verdade tanto em Palermo quanto em outras áreas", disse o procurador.
As declarações acendem um sinal de alerta sobre a capacidade das organizações criminosas italianas de acessar tecnologias bélicas modernas, que normalmente seriam restritas a exércitos regulares, enquanto a guerra na Ucrânia tem gerado um mercado clandestino de armas e equipamentos militares desviados para o crime organizado.
Em seu depoimento, De Lucia também explicou que a Cosa Nostra quer "se fortalecer com um exército", o que só é possível com o "dinheiro rápido que chega do tráfico de drogas".
"O tráfico é acertado com a máfia albanesa, com a 'ndrangheta e com quem organiza a exportação do outro lado do Atlântico. A demanda por drogas é muito alta, e o mercado na Sicília é controlado pela Cosa Nostra. A máfia é uma marca reconhecida pelos principais cartéis sul-americanos", explicou.
Ainda segundo o procurador, a Cosa Nostra não possui hoje um "comando unitário", mas funciona por meio de um "diálogo" entre os vários clãs. "Do ponto de vista horizontal, a máfia continua operando como sempre fez, seguindo uma estratégia precisa", afirmou.