Macron pede que Israel renuncie a ambições territoriais e que Líbano desarme Hezbollah

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta terça-feira (21) que Israel deve "renunciar às suas pretensões territoriais" no Líbano, acrescentando que o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, deve "cessar" os disparos contra o território israelense e ser desarmado "pelos próprios libaneses". As declarações foram feitas em coletiva de imprensa ao lado do primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, em visita a Paris.

21 abr 2026 - 15h59

"Acreditamos no desarmamento do Hezbollah pelas Forças Armadas Libanesas", seja pela força ou pela negociação, dependendo do "caminho" que as autoridades de Beirute escolherem, afirmou Macron. "Enquanto houver uma força que ocupe o território libanês ou bombardeie o país, ela enfraquece a capacidade de desarmar o Hezbollah de forma duradoura", advertiu.

O presidente francês, Emmanuel Macron (à direita) ao lado do primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, em coletiva de imprensa em Paris, em 21 de abril de 2026.
O presidente francês, Emmanuel Macron (à direita) ao lado do primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, em coletiva de imprensa em Paris, em 21 de abril de 2026.
Foto: via REUTERS - LUDOVIC MARIN / RFI

Já a trégua em vigor "deverá ser ampliada para permitir o início de uma verdadeira dinâmica de estabilização", reiterou o presidente francês, em relação ao frágil cessar-fogo de dez dias estabelecido entre Israel e o grupo Hezbollah, em vigor desde a última sexta-feira (17). O líder centrista também defendeu um acordo político que "garanta a segurança dos dois países, a integridade territorial do Líbano e estabeleça as bases para a normalização de suas relações". 

Publicidade

Macron ainda afirmou que Paris "estará ao lado do Líbano nas próximas etapas" e garantiu que a França manterá sua presença no território libanês mesmo após a saída da Unifil, a força da ONU no país. Em fevereiro, as Nações Unidas anunciaram a intenção de retirar, até meados de 2027, a maior parte dos capacetes azuis destacados no Líbano, já que o mandato para a atuação destes militares termina no fim deste ano.

€ 500 milhões em seis meses

Segundo Nawaf Salam, o Líbano precisa de € 500 milhões para enfrentar a crise humanitária nos próximos seis meses. A guerra entre Israel e o grupo Hezbollah reduziu a ruínas diversos setores da capital Beirute e trouxe abaixo imóveis e infraestruturas no sul do país. Desde 2 de março - quando o movimento libanês pró-Irã Hezbollah atacou Israel em apoio a Teerã, poucos dias após o início da guerra contra o Irã - mais de 1,2 milhão de pessoas tiveram de deixar suas casas para escapar da ofensiva israelense no país. 

A unidade de gestão de catástrofes do Líbano informou nesta terça-feira que o balanço de seis semanas de guerra entre Israel e Hezbollah aumentou para 2.454 mortos, em meio à frágil trégua. Segundo comunicado, 7.658 pessoas ficaram feridas no conflito. 

O primeiro-ministro libanês também exigiu nesta terça-feira a "retirada total" das forças israelenses de seu território, além do retorno dos prisioneiros e dos deslocados libaneses, no âmbito das negociações em andamento com Israel. Uma nova reunião entre representantes israelenses e libaneses está prevista para quinta-feira (23) em Washington.

Publicidade

Israel assumiu o controle de vários setores do sul do Líbano - reduto do Hezbollah - após o ataque do movimento pró-iraniano contra seu território em 2 de março, em retaliação à ofensiva israelo-americana no Irã.

O presidente xiita do Parlamento libanês, Nabih Berri, advertiu, em entrevista a um jornal libanês, que as tropas israelenses que ocupam parte do sul do Líbano enfrentarão "resistência" caso não se retirem do país.

Ataques mútuos entre Israel e Hezbollah 

O exército de Israel declarou ter atingido nesta terça-feira um lançador de foguetes do Hezbollah, após acusar o movimento xiita de ter disparado contra suas tropas no sul do Líbano. As forças israelenses também afirmaram que um drone lançado a partir do Líbano foi "interceptado antes de entrar no território israelense".

O projétil teria acionado sirenes de alerta em duas localidades no norte de Israel. Para o governo do país, essas são "violações flagrantes do cessar-fogo".

Publicidade

Funeral coletivo 

O grupo Hezbollah organizou nesta terça-feira funerais coletivos em um vilarejo no sul do Líbano para 14 combatentes mortos na ofensiva israelense. Moradores se concentraram na praça do local, decorada com retratos dos "mártires", para receber o cortejo. 

No sul de Beirute, quatro combatentes do Hezbollah já haviam sido enterrados na segunda-feira (20), na presença de dezenas de familiares e apoiadores, incluindo mulheres e crianças. No mesmo dia, outros três membros do grupo também foram sepultados no vale do Beqaa, no leste do país. 

O movimento pró-iraniano não revelou o número total de perdas nos ataques de Israel e nos confrontos com suas tropas. As forças israelenses anunciaram em meados de abril ter eliminado mais de 1.700 combatentes do grupo. 

RFI com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações