O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu esforços intensificados para combater o antissemitismo na França, depois que dados recentes do governo mostraram que a hostilidade contra os judeus permaneceu alta, apesar de uma queda nos incidentes registrados no ano passado.
A França, que tem a maior comunidade judaica da Europa, registrou 1.320 atos antissemitas em 2025, representando 53% de todos os incidentes antirreligiosos, de acordo com um relatório divulgado na quinta-feira pelo Ministério do Interior.
Mesmo com uma queda de 16% nos incidentes em relação ao ano anterior, eles permaneceram em níveis "historicamente altos" por três anos consecutivos, disse o ministério.
O aumento ocorreu após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 e o conflito subsequente em Gaza.
"Escolas, sistema judiciário, autoridades eleitas: todos devem ser mobilizados", disse Macron em uma cerimônia em comemoração aos 20 anos da morte de Ilan Halimi, um judeu de 23 anos que morreu após ser sequestrado e mantido em cativeiro por 24 dias. Um líder de gangue foi condenado em 2009 à prisão perpétua por seu sequestro, tortura e assassinato.
Macron criticou o que chamou de "veneno do ódio online" e instou a Comissão Europeia a responsabilizar as grandes plataformas online.
"Na França do Iluminismo, a 'liberdade de expressão' não se aplica ao antissemitismo e ao racismo", disse o líder francês.
Os atos antissemitas continuam aumentando em toda a Europa. O Reino Unido registrou 3.700 incidentes antissemitas em 2025, um aumento de 4% e o segundo pior ano já registrado, de acordo com dados publicados na quarta-feira pela Community Security Trust, que protege os judeus no Reino Unido.
Na Alemanha, os casos de antissemitismo quase dobraram para 8.627 no ano passado, de acordo com o Centro Federal de Pesquisa e Informação sobre Antissemitismo, apontando para violência, vandalismo e ameaças relacionadas ao conflito em Gaza.