Lula defende discussão sobre mandatos para ministros do STF

10 set 2026 - 20h43
(atualizado em 11/9/2026 às 20h43)
Resumo
O presidente Lula defendeu a criação de mandatos para ministros do STF e uma reforma no Judiciário, afirmando que integrantes da Corte devem ser investigados se houver indícios de irregularidades. Afastando o Executivo da crise interna no tribunal, ele elogiou a intervenção do ministro Edson Fachin para conter o conflito entre André Mendonça e Alexandre de Moraes. Lula também cobrou o fim do sigilo em apurações e anunciou planos para criar uma guarda nacional e presídios de segurança máxima.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ‌nesta quinta-feira que seja discutida a instituição de mandatos para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), aproveitando para afirmar que todos devem ser investigados se houver indício -- inclusive integrantes da Suprema Corte --, e, se culpados, devem pagar.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
8 de setembro de 2026
REUTERS/Adriano Machado
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva 8 de setembro de 2026 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

Em entrevista ao SBT Brasil, Lula buscou afastar o governo da crise institucional que se ⁠abateu sobre o Supremo, mas ponderou que, como presidente da República, preocupa-se com ‌o STF por ser um dos pilares da democracia. 

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"Nós precisamos fazer outra reforma no Poder Judiciário, da primeira à última instância. É preciso criar critérios ‌porque se não as pessoas vão virando Deus ‌e acham que podem tudo", disse o presidente.

"Eu sinceramente hoje acho ⁠que é preciso a gente discutir um mandato para a Suprema Corte. Ninguém pode ficar 40 anos no mesmo cargo", afirmou, acrescentando que pretende discutir o tema com a sociedade antes de incluir qualquer medida do tipo em seu plano de governo.

O presidente elogiou a atuação do presidente do STF, Edson ‌Fachin, ao intervir na crise gerada pelos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, ‌afirmando que ele vai ⁠colocar "ordem na casa". 

A ⁠crise no STF envolve decisões de Mendonça apontando possíveis irregularidades relacionadas ao colega de toga ⁠Alexandre de Moraes, que revidou e indicou ‌suposta atuação ilegal de ‌Mendonça -- que por sua vez destituiu o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de inteligência da PF, Leandro Almada, dos postos.

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A medida foi revertida por decisões do ministro Flávio Dino e posteriormente pelo ⁠presidente do STF, que cassou tanto a liminar de Mendonça que afastava Rodrigues, como a de Dino, que o recolocava, mas concedeu a liminar pedida pela Advocacia-Geral da União (AGU) para Rodrigues retornar à direção da PF. Fachin também tirou Alexandre de Moraes da relatoria ‌do inquérito das fake news, e parou todas as investigações que envolvam ministros do STF.

Para Lula, a crise em si não "respingou" no governo porque o ⁠Executivo "não tem nada a ver com a crise institucional".

"Não arrastou o governo."

Lula voltou a cobrar a abertura do sigilo das investigações envolvendo o Banco Master no STF, de forma a evitar vazamentos seletivos que, reconheceu, têm impactos no processo eleitoral. E cobrou que quaisquer envolvidos -- inclusive ministros da Suprema Corte -- sejam investigados da mesma forma que um cidadão comum. 

Sempre cobrado pelo mercado financeiro sobre a política fiscal do governo, Lula disse que ajuste fiscal ele faz na prática.

Ao abordar mais especificamente o tema da segurança pública, tema em que a esquerda costuma patinar, o presidente afirmou que pretende criar uma guarda nacional e transformar 138 cadeias em prisões de segurança máxima. 

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