Justiça do Equador condena ex-presidente a nove anos de prisão por corrupção

10 set 2026 - 19h22
Resumo
A Justiça do Equador condenou o ex-presidente Abdalá Bucaram e seu filho, Jacobo Bucaram, a mais de nove anos de prisão por integrarem um esquema criminoso que lucrou com a venda ilegal de suprimentos médicos e testes durante o pico da pandemia de Covid-19. Devido à idade e a problemas de saúde, o ex-governante, que nega as acusações e promete recorrer, cumprirá a pena em regime domiciliar. O caso também envolveu ex-agentes de trânsito e estrangeiros que se passavam por agentes diplomáticos.

Um tribunal do Equador condenou, ‌na noite de quarta-feira, o ex-presidente Abdalá Bucaram a nove anos e quatro meses de prisão por um caso de corrupção, informou a procuradoria, que o acusou de colaborar com uma organização criminosa para comercializar suprimentos médicos durante a pandemia da Covid-19.

O ex-presidente do Equador Abdala Bucaram (ao centro) cumprimenta apoiadores em Guayaquil
8 de outubro de 2019
REUTERS/Santiago Arcos
O ex-presidente do Equador Abdala Bucaram (ao centro) cumprimenta apoiadores em Guayaquil 8 de outubro de 2019 REUTERS/Santiago Arcos
Foto: Reuters

O ex-presidente, de 74 anos, que ⁠governou entre agosto de 1996 e fevereiro de 1997, deverá cumprir sua ‌pena em prisão domiciliar devido à sua idade, de acordo com a lei equatoriana.

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Um dos filhos de Bucaram, Jacobo Bucaram, também foi ‌condenado pelo mesmo caso como cúmplice do ‌crime de organização criminosa.

"Os réus formaram uma estrutura criminosa organizada que, ⁠de forma reiterada e concertada, cometeu crimes relacionados ao enriquecimento privado injustificado, fraude tributária, peculato e falsificação de documentos públicos", afirmou a procuradoria em um comunicado.

Quatro pessoas foram acusadas pela Procuradoria-Geral de terem obtido benefício econômico ao negociar a compra de cerca de 21 mil testes rápidos ‌para a detecção da Covid-19 e outros suprimentos médicos entre março e ‌agosto de 2020, enquanto ⁠o Equador passava ⁠por um dos piores surtos da pandemia na região.

O filho de Bucaram foi ⁠condenado à mesma pena que seu ‌pai. Um ex-agente de ‌trânsito foi condenado a 13 anos e 4 meses, enquanto um cidadão israelense recebeu uma pena reduzida de dois anos e oito meses por ter cooperado durante o julgamento.

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Bucaram acompanhou a audiência por ⁠videoconferência de um hospital na cidade litorânea de Guayaquil, onde está internado devido a problemas cardíacos.

Em declarações à imprensa em sua casa, Bucaram disse que iria recorrer da sentença e questionou a imparcialidade de um dos juízes, apontando supostos ataques ‌anteriores nas redes sociais contra sua família.

"Não há nenhum crime; partindo de mentiras, montaram um julgamento que é absurdo", acrescentou o ex-presidente. "É uma ⁠injustiça e posso jurar que somos inocentes."

COMPLEXIDADES DO CASO

Os promotores afirmaram que agentes de trânsito garantiram segurança a dois cidadãos estrangeiros, que transportavam os suprimentos até a residência de Bucaram na cidade litorânea de Guayaquil. Já seu filho, Jacobo, teria pago US$321.600 pelos suprimentos médicos.

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De acordo com a investigação, os estrangeiros envolvidos "circulavam em veículos de luxo, fingindo ser agentes da Drug Enforcement Administration (DEA, na sigla em inglês) ou pessoal diplomático", acrescentou a procuradoria no comunicado.

Um dos estrangeiros acusados — identificado pela procuradoria como Shy D — foi assassinado na prisão de Guayaquil em agosto de 2020, dias depois de prestar seu depoimento no caso.

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