Lula defende acordo Mercosul-UE, mas critica taxação de carbono

Presidente pediu que setores produtivos 'falem alto' em prol de tratado

20 abr 2026 - 09h43
(atualizado às 09h53)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta segunda-feira (20) que os setores favoráveis ao acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia façam ouvir sua voz para garantir que o tratado seja implementado de forma permanente.

Presidente Lula com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz
Presidente Lula com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O pacto comercial entrará em vigor de forma provisória em 1º de maio, após ter sido ratificado pelos quatro países do Mercosul, mas ainda enfrenta resistência na UE, sobretudo no setor agropecuário e em países como a França.

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"O acordo entre Mercosul e União Europeia é um instrumento essencial para melhorar o nosso comércio. Após três décadas de negociações, ele entra em vigor a partir do dia 1º de maio. Conto com o engajamento do setor privado para garantir que a vigência provisória do acordo seja transformada em permanente", disse Lula em discurso no 42º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, em Hanôver.

"Precisamos que os setores favoráveis ao acordo falem mais alto que os que se opõem, sobretudo na Europa. É hora de garantir que ele gere benefícios a trabalhadores, empresas e consumidores diante de um cenário internacional muito turbulento e incerto", acrescentou.

O discurso foi pronunciado na presença do chanceler alemão, Friedrich Merz, um dos principais defensores do acordo Mercosul-UE no bloco europeu.

Lula ainda aproveitou a ocasião para criticar o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (Cbam) da União Europeia, que entrou em vigor em 1º de janeiro e taxa importações de produtos com grande emissão de CO2, como aço, alumínio, cimento e fertilizantes.

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Segundo o presidente, o Cbam "desconsidera o baixo nível de emissões do processo produtivo brasileiro", que é "baseado em fontes renováveis" de energia.

"Essas iniciativas podem dificultar a oferta de energia limpa ao consumidor europeu em momento crítico. A elevação de padrões ambientais é necessária, mas não é correta. Adotar critérios que ignoram outras realidades prejudica os produtores brasileiros", salientou.

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