Felix Banaszak vai de motorhome até o estado da Saxônia-Anhalt, no Leste Alemão, numa missão difícil: tentar reconquistar eleitores que tê preferido votar nos últimos anos na ultradireita;O copresidente do Partido Verde da Alemanha, o parlamentar Felix Banaszak, está viajando de Berlim para o estado da Saxônia-Anhalt num dia ensolarado. Não numa limusine oficial nem de trem, mas ao volante de um motorhome que já viu dias melhores.
Em setembro haverá eleições estaduais na Saxônia-Anhalt, e Banaszak pretende passar a campanha eleitoral em campings. E não apenas por algumas horas: ele também quer pernoitar neles com seu veículo.
Com 4% nas pesquisas eleitorais, o Partido Verde corre sério risco de ficar de fora da Assembleia estadual da Saxônia-Anhalt devido ao percentual mínimo de 5% exigido pela lei.
Durante a viagem, Banaszak explica sua ideia à DW. Para o eleitor médio desse estado da antiga Alemanha Oriental, economicamente mais frágil, a imagem do Partido Verde é a de um grupo de ecofreaks ricos das grandes cidades que não entendem nada da vida na Saxônia-Anhalt.
É para lutar contra esse estereótipo que o líder partidário de 36 anos oferece um diálogo franco. "Quero mostrar que vamos até onde as pessoas estão e não ficamos esperando que venham até nós, à sede do partido, para ouvir palestras técnicas."
Cordialidade, mas desconfiança
Logo fica claro que as pessoas no primeiro camping que Banaszak visita, perto da localidade de Wischer, sob um calor intenso incomum na Alemanha, não têm mesmo qualquer interesse em palestras técnicas.
Elas recebem o político verde com cordialidade e elogiam sua coragem de ir se apresentar a elas apesar da hostilidade que os verdes com frequência enfrentam no Leste Alemão.
A conversar logo desemboca nos temas que dominam a campanha eleitoral: a estagnação econômica, a política migratória (que muitos aqui consideram malsucedida) e a guerra na Ucrânia.
Andreas Wöge se deslocou de bicicleta do vilarejo próximo de Wischer até o camping Wa-Ca-WI especialmente para ouvir Banaszak. Ele diz que a Alemanha investe demais em rearmamento e acha terrível que o ministro da Defesa, Boris Pistorius (SPD), fale que o país precisa se tornar rapidamente "apto para a guerra".
O apoio alemão à Ucrânia, atacada pela Rússia, e o reforço das Forças Armadas são temas sensíveis no Leste Alemão. Mesmo na oposição no governo do chancele federal Friedrich Merz, os verdes apoiam o fortalecimento militar. Mas e o temor de que o presidente russo, Vladimir Putin, possa atacar um país da Otan - talvez até a Alemanha? Wöge olha para Banaszak com ceticismo e diz: "Em 2029 Putin vai atacar - quem anda falando isso?"
Banaszak não sabe o que Putin pretende, mas está convencido de que a Rússia representa uma ameaça. "E quem te contou isso?", perguntam as pessoas no camping. O líder dos verdes responde: "Infelizmente todos os serviços de inteligência que se ocupam disso". Há alguns acenos de cabeça, as dúvidas permanecem - mas ao menos há diálogo.
Fila para selfies com candidato da AfD
Banaszak caminha pelo camping sem ser hostilizado. Mas basta questionar alguns frequentadores do local para logo ficar claro que muito votarão nos candidatos da Alternativa para a Alemanha (AfD), cujo diretório local é classificado como de extrema-direita pela autoridade alemã de proteção da Constituição.
Segundo esses eleitores, por protesto contra o governo em Berlim, porque "tudo precisa mudar". E mesmo reconhecendo que o político do Partido Verde é um sujeito simpático. As pesquisas mais recentes dão à AfD cerca de 40% dos votos, um pouco menos do que a maioria absoluta.
Cerca de 30 pessoas se reúnem para falar com Banaszak. Alguns campistas contam que, duas semanas atrás, o candidato da AfD para a eleição de setembro, Ulrich Siegmund, que é natural de Tangermünde, ali perto, esteve no local com muitos apoiadores, e as pessoas fizeram fila para tirar selfies e pedir autógrafos.
Argumento pouco convincente
Todos os demais partidos prometem não colaborar com a AfD: nem a CDU, que hoje governa o estado com Sven Schulze, nem a Esquerda, nem os Verdes, nem os social-democratas.
Mas, em agosto, no auge da campanha, tudo deverá girar em torno do confronto direto entre Schulze e Siegmund. Será que alguém ainda vai prestar atenção aos partidos menores, como o Partido Verde?
Banaszak diverge dessa visão. "No fim, o decisivo não será quantos por cento a CDU terá, mas quantos partidos conseguirão entrar no parlamento estadual." Por esse raciocínio, quanto mais partidos houver no parlamento, menor a bancada da AfD, e menor a probabilidade de o partido da ultradireita chegar ao governo. Na Alemanha, são os parlamentares que elegem o governo.
Aposta nos temas do partido
Mas Banaszak sabe que esse argumento para votar nos verdes é bastante complexo. Por isso, nas conversas no camping, ele aposta também nos temas centrais do partido: proteção climática, águas e lagos limpos e preservação da natureza.
Recentemente, os verdes perderam cadeiras em dois parlamentos regionais no leste da Alemanha, o que, segundo ele, já teve consequências para a proteção ambiental: "Agora vemos em Brandemburgo e na Turíngia que, quando os verdes ficam fora do parlamento, esses temas também deixam de ter voz. Por isso, nosso foco agora é mobilização. Com 4%, ainda não estamos dentro, mas estamos perto."
No fim do dia, há cerveja e salsichas para os campistas, oferecidas pelos verdes. Pelas projeções, pouco mais de 10 mil votos separam o partido da representação parlamentar. Banaszak espera ter conquistado alguns deles ali no camping.
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