Líbano mergulha ainda mais na guerra, com Hezbollah e Israel trocando golpes

3 mar 2026 - 13h45

O Líbano foi arrastado ainda mais para a guerra ‌no Oriente Médio nesta terça-feira, quando o grupo libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã, lançou mísseis contra Israel pelo segundo dia consecutivo e Israel enviou tropas para o sul do país e realizou uma série de ataques aéreos.

Palco de inúmeros conflitos entre Israel e o Hezbollah, o Líbano foi arrastado para o conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irã na segunda-feira, quando o grupo abriu fogo com drones e mísseis.

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Com dezenas de pessoas mortas em ataques retaliatórios israelenses, a decisão do Hezbollah de entrar no conflito acentuou as divisões de longa data no Líbano sobre seu status ⁠como grupo armado — a única facção libanesa a manter suas armas após a guerra civil de 1975-90.

MILHARES FOGEM DA ÁREA FRONTEIRIÇA

Na segunda-feira, o governo tomou ‌a medida sem precedentes de proibir as atividades militares do Hezbollah. O jornal pró-Hezbollah Al-Akhbar condenou isso como uma "capitulação aos ditames, que poderia até levar à eclosão de uma guerra civil".

Os ataques israelenses provocaram densas nuvens de fumaça sobre os subúrbios do sul de Beirute, controlados pelo Hezbollah, ‌e sobre os cumes das colinas no sul do Líbano.

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O ministro da Defesa israelense, Israel ‌Katz, disse em comunicado que autorizou os militares a avançarem e assumirem o controle de posições adicionais no Líbano, onde tropas israelenses ⁠mantêm várias colinas desde a guerra com o Hezbollah em 2024.

Milhares de libaneses fugiram de suas casas em áreas que sofreram o impacto dessa guerra. As forças israelenses ordenaram que os residentes de dezenas de aldeias do sul do Líbano deixassem a área.

"Este deslocamento é mais difícil do que o anterior", disse Nuzha Salame, uma mulher que se refugiou na cidade de Sidon após fugir de seu vilarejo. "Agora estamos passando por dificuldades e privações, e ainda estamos nas ruas."

A Organização das Nações Unidas disse que, até segunda-feira, pelo menos 30.000 pessoas, incluindo 9.000 crianças, tinham procurado proteção em ‌abrigos, enquanto se esperava que muitas mais se juntassem a elas.

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O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que Israel aumentaria seus ataques no Líbano em resposta aos ‌ataques do Hezbollah e afirmou que o grupo ⁠estava arrastando o povo libanês "para uma ⁠guerra que não é deles".

INCURSÕES ISRAELENSES

O Ministério da Saúde libanês disse que os ataques israelenses mataram pelo menos 40 pessoas e feriram 246 desde o início da ⁠escalada. Ele disse que um número incorreto de 52 mortos foi divulgado na segunda-feira.

Não houve ‌relatos de mortes em Israel como resultado dos ‌ataques do Hezbollah.

As forças israelenses afirmaram ter enviado tropas adicionais ao sul do Líbano durante a noite, alegando que o objetivo era assumir posições defensivas para se proteger contra qualquer possível ataque do Hezbollah.

A Unifil, força de paz da ONU no sul do Líbano, disse que soldados israelenses cruzaram a fronteira em quatro áreas antes de retornar ao sul da fronteira, e que dezenas de foguetes e ⁠mísseis foram disparados contra Israel nos últimos dois dias.

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Testemunhas afirmaram que o Exército libanês se retirou de pelo menos sete posições avançadas ao longo da fronteira.

Israel vinha realizando ataques quase diários contra o Hezbollah desde o cessar-fogo em 2024. O ataque do Hezbollah na segunda-feira foi o primeiro desde aquele conflito.

O Hezbollah anunciou pelo menos quatro ataques separados na terça-feira usando drones de ataque e mísseis, afirmando que eles tinham como alvo instalações militares no norte de Israel. Também alegou ter abatido um drone israelense no ‌sul.

O sul, predominantemente muçulmano xiita, é há muito um importante reduto do Hezbollah, onde obteve apoio político e posicionou armamento antes do conflito de 2024. O Exército libanês entrou na área e apreendeu seus depósitos de armas desde aquele conflito, do qual o Hezbollah saiu bastante enfraquecido.

FOGUETE ⁠ATINGE CASA EM ISRAEL

Um míssil vindo do Líbano atingiu uma casa no norte de Israel, informou a mídia israelense. O serviço de ambulâncias de Israel disse que um homem foi tratado por ferimentos causados por estilhaços de vidro.

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Durante a noite, um ataque aéreo israelense atingiu a sede da TV Al-Manar do Hezbollah em Beirute. Imagens filmadas durante a noite por uma câmera da Reuters com vista para os subúrbios ao sul de Beirute mostraram explosões e projéteis sendo lançados.

As forças israelenses relataram mais ataques aéreos em Beirute nesta terça-feira, afirmando que atingiram "centros de comando, instalações de armazenamento de armas e componentes de comunicação via satélite pertencentes à sede de inteligência do Hezbollah em Beirute".

"Esses recursos estavam operando sob cobertura civil", disseram.

Os militares israelenses afirmaram ter tomado medidas para mitigar os danos aos civis, incluindo o uso de alertas antecipados.

Após seu ataque na segunda-feira, o Hezbollah disse que agiu para vingar a morte do líder supremo do Irã e também em defesa do Líbano. Nesta terça-feira, o grupo observou os ataques contínuos de Israel desde 2024 e disse que suas ações foram "uma reação à agressão, por razões nacionais em primeiro lugar".

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O líder do Hezbollah, Naim Qassem, não fez declarações ou discursos durante a última escalada.

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