No aniversário da independência dos EUA, revistas francesas retratam relação complexa entre os dois países

As relações entre a França e os Estados Unidos são marcadas por grande proximidade, mas também por conflitos célebres. Às vésperas das comemorações da independência americana, a revista Le Parisien Weekend desta semana destaca a história turbulenta de amizade entre os dois países e relembra alguns de seus momentos mais importantes.

27 jun 2026 - 07h57

Os Estados Unidos comemoram no próximo dia 4 de julho os 250 anos de sua declaração de independência da Inglaterra do rei George III, em 1776. Entre os personagens centrais desse processo está o general La Fayette, transformado em um verdadeiro mito pelos americanos.

A publicação destaca ainda a vitória francesa na Batalha de Chesapeake, considerada decisiva para o desfecho da Guerra de Independência dos Estados Unidos. O conflito foi oficialmente encerrado por uma série de tratados assinados em 1783, principalmente em Paris e Versalhes, o que simboliza o papel fundamental desempenhado pela França.

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No entanto, a revista lembra que George Washington não demorou a se aproximar novamente de Londres, firmando acordos comerciais com os britânicos à revelia do rei francês Luís XVI.

A revista também aborda os presentes trocados entre as duas nações, entre eles a Estátua da Liberdade, financiada em grande parte pelo povo francês. Dessa forma, a gigantesca escultura é apresentada como "um presente do povo francês ao povo americano".

Outro destaque é o engajamento dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial, bem como as inúmeras ligações culturais e econômicas entre os dois países. Le Parisien Weekend lembra que escritores americanos como William Faulkner e Ernest Hemingway viveram na França, enquanto artistas franceses alcançaram reconhecimento em Hollywood, como Marion Cotillard, Jean Dujardin e Simone Signoret, todos vencedores do Oscar.

Na música, nomes como Édith Piaf e Charles Aznavour também conquistaram o público americano. A influência francesa se estende ainda à gastronomia, com exemplos populares como as famosas french fries.

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Apesar dessa longa história de cooperação, a amizade entre França e Estados Unidos permanece marcada, segundo a revista, por uma permanente disputa de influência e poder.

Constrangimentos

A revista Le Point também dedica espaço ao aniversário da independência americana. Para a publicação, ao receber Donald Trump em Versalhes, após a cúpula do G7 em Évian, Emmanuel Macron colocou a França em posição privilegiada nas celebrações do 250º aniversário da independência dos Estados Unidos.

A publicação semanal relembra diversas comemorações realizadas ao longo do tempo entre os dois países para celebrar a Declaração de Independência, mas observa que, em muitos casos, algum tipo de constrangimento diplomático de uma das partes acabava ofuscando as festividades.

O texto conclui afirmando que toda comemoração é fruto de sua época e reflete as circunstâncias políticas e históricas do momento. Segundo a revista, essa lógica da memória também se aplica naturalmente às celebrações do 250º aniversário da independência americana.

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