Leão XIV aborda terras raras e alerta que IA pode aprisionar em 'bolhas'

Papa fez discurso contundente sobre exploração no continente africano

17 abr 2026 - 14h00
(atualizado às 14h07)

O papa Leão XIV abordou nesta sexta-feira (17), durante discurso na Universidade Católica de Yaoundé, em Camarões, dois temas centrais para o futuro global: a exploração de terras raras na África e os impactos da inteligência artificial.

Ao tratar da crescente demanda por minerais estratégicos, essenciais para tecnologias digitais, o pontífice fez um alerta contundente sobre o papel do continente africano nesse cenário.

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Segundo ele, embora a revolução digital traga avanços significativos, também expõe "o lado sombrio da devastação ambiental e social causada pela busca frenética por matérias-primas e terras raras".

"Não desviem o olhar: é um serviço à verdade e a toda a humanidade", afirmou, dirigindo-se especialmente aos jovens universitários.

O Papa destacou ainda a importância da educação como ferramenta de resistência a dinâmicas exploratórias: "Sem esse esforço educacional, a adaptação passiva à lógica dominante será confundida com competência, e a perda da liberdade com o progresso".

No mesmo discurso, o líder religioso voltou sua atenção à expansão dos sistemas de inteligência artificial, que, segundo ele, estão "cada vez mais presentes em nossos ambientes mentais e sociais".

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Para o pontífice, o desafio atual vai além da capacitação técnica e exige uma formação humanística capaz de revelar os interesses econômicos e estruturas de poder por trás dessas tecnologias.

Leão XIV advertiu que os ambientes digitais são frequentemente projetados para persuadir e otimizar interações, reduzindo a necessidade de encontros reais. "A alteridade das pessoas reais é neutralizada e os relacionamentos são reduzidos a uma resposta funcional", disse.

Em tom de alerta, o Papa afirmou que a crescente dependência dessas plataformas pode levar ao isolamento social e à perda da capacidade crítica.

"Quando a simulação se torna a norma, a capacidade humana de discernimento atrofia e nossos laços sociais ficam presos em circuitos autorreferenciais que não nos expõem mais à realidade.

Passamos a viver como se estivéssemos dentro de bolhas impermeáveis uns aos outros, nos sentimos ameaçados por qualquer pessoa que seja diferente e nos desacostumamos ao encontro e ao diálogo", declarou.

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De acordo com ele, esse fenômeno contribui para o aumento da polarização, do medo e dos conflitos. "O que está em jogo não é simplesmente o risco de erro, mas uma transformação da própria relação com a verdade", concluiu.

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