No total, 30 chefes de Estado e de Governo participaram da reunião, a maioria de forma remota. Eles discutiram o estabelecimento de uma missão neutra, totalmente separada dos envolvidos diretamente no conflito no Oriente Médio, para escoltar e garantir a segurança de navios mercantes que transitam pelo Golfo, declarou Emmanuel Macron.
Após o anúncio iraniano de que o acesso ao estreito havia sido liberado, depois de mais de um mês de bloqueio, os líderes defenderam que o local fosse "totalmente reaberto". Mais de uma dúzia de países já se ofereceram para contribuir com essa força pacífica e defensiva, acrescentou Keir Starmer, anunciando uma reunião de "planejamento militar" na próxima semana em Londres para revelar "mais detalhes" sobre sua "composição".
Giorgia Meloni reiterou que uma "cessação das hostilidades" seria necessária previamente. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) não estava presente.
Nesta tarde, a ajuda da aliança militar para assegurar o trânsito no estreito foi rechaçada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que considerou que "a situação está agora "resolvida".
Irã anuncia reabertura do estreito
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou que "a passagem de todos os navios comerciais" pelo estreito estava "totalmente aberta" durante o restante do cessar-fogo com os Estados Unidos.
O anúncio foi saudado pelo presidente americano, que confirmou que o Irã estava removendo todas as suas minas marítimas. Ele, no entanto, manteve o bloqueio aos portos iranianos até que um acordo mais amplo com Teerã seja alcançado.
"Saudamos" o anúncio iraniano, que "é um passo na direção certa", reagiu o presidente francês, em nome dos participantes da cúpula. Eles agora pedem uma "reabertura imediata, plena e incondicional por todas as partes". "Sem pedágios e sem restrições", acrescentou o primeiro-ministro britânico.
Americanos não são convidados
Emmanuel Macron considerou a missão proposta por esses países "ainda mais legítima porque é o que permitirá consolidar esses anúncios em curto prazo e, sobretudo, dar-lhes a chance de se manterem ao longo do tempo". Além dos europeus, o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, participou da reunião, assim como representantes de outros países asiáticos, como China e Japão, e do Oriente Médio, incluindo Arábia Saudita e Catar, mas em nível ministerial ou inferior.
Os americanos não foram convidados: Macron insiste que qualquer missão futura permaneça separada dos "beligerantes" na guerra iniciada no final de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que retaliou os ataques bloqueando o Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico.
Já o chanceler Friedrich Merz considerou a participação americana na missão "desejável", argumentando que esta crise "não deveria se tornar um teste de resistência para as relações transatlânticas".
Aumento dos preços da energia
O líder francês assegurou que qualquer missão futura seria acompanhada por "esforços de apaziguamento" com o Irã e "coordenação" com os Estados Unidos e Israel, bem como discussões "com armadores" e "seguradoras".
Donald Trump criticou repetidamente seus aliados europeus e asiáticos, que se recusam a participar dos esforços militares americanos e a contribuir para uma possível reabertura do Estreito pela força. No início de março, Emmanuel Macron lançou a ideia de uma missão para apoiar a reabertura do Estreito, assim que os combates cessassem. França e Reino Unido afirmam ter iniciado o planejamento militar com os países dispostos a colaborar.
Os líderes presentes em Paris enfatizaram as consequências econômicas globais deste conflito. Desde o início da escalada no Oriente Médio, o bloqueio dessa estreita passagem marítima, por onde passam cerca de 20% do petróleo e do gás mundial, levou a uma disparada nos preços da energia, afetando fortemente a economia global.
Embora um cessar-fogo de duas semanas tenha entrado em vigor em 8 de abril, a situação permanece frágil após o fracasso, no domingo, das negociações iniciais entre Irã e Estados Unidos para consolidá-lo. Discussões sobre uma possível retomada das negociações estão em andamento.
Com AFP