Os dois locais são objeto de investigações sobre supostos crimes de guerra cometidos durante o conflito de 1998-1999 entre forças sérvias e combatentes kosovares pela independência.
Segundo as primeiras avaliações, os corpos encontrados em escavações realizadas em Jabuka pertencem a "vítimas de desaparecimento forçado durante a guerra", informou a Comissão Governamental para Pessoas Desaparecidas em comunicado divulgado na noite de segunda-feira.
Os restos mortais foram transferidos para um laboratório, onde passarão por análises de DNA para tentar identificar as vítimas. Segundo os promotores, as operações de escavação e identificação nas duas áreas podem durar vários meses.
Até 23 vítimas em uma mesma vala
A poucos quilômetros dali, médicos-legistas já haviam encontrado, no sábado (1º), os corpos de sete pessoas em uma vala comum descoberta na vila de Kalludër, também na região de Zubin Potok. Segundo o primeiro-ministro Albin Kurti, esse local pode conter os restos mortais de 23 albaneses do Kosovo, "sequestrados à força, executados e cujos corpos foram enterrados para ocultar o horrível crime cometido pelas forças sérvias na primavera de 1999".
As autoridades kosovares acreditam que as vítimas façam parte de um grupo de intelectuais de Mitrovica, incluindo médicos, professores e defensores dos direitos humanos, desaparecidos desde 19 de abril de 1999.
O Ministério Público também anunciou a prisão de três homens suspeitos de crimes de guerra relacionados ao caso, entre eles dois sérvios da cidade de Zubin Potok.
Cerca de 1.600 pessoas continuam desaparecidas
A Guerra do Kosovo (1998-1999) deixou cerca de 13 mil mortos, dos quais 11 mil eram albaneses kosovares, em sua maioria civis. Aproximadamente 1.600 pessoas continuam desaparecidas. Entre elas, cerca de 1.100 são albaneses kosovares e 500 são sérvios, ciganos (roms) ou integrantes de outras minorias.
Quase três décadas após o conflito, as relações ainda tensas entre Sérvia e Kosovo, cuja independência proclamada em 2008 continua sem ser reconhecida por Belgrado, dificultam as buscas.
O primeiro-ministro Albin Kurti pediu à comunidade internacional que pressione a Sérvia a abrir os arquivos do Exército iugoslavo para facilitar a localização de outras valas comuns.
Sob mediação de Bruxelas, uma comissão conjunta de especialistas kosovares e sérvios reuniu-se pela primeira vez em janeiro para iniciar uma cooperação voltada à busca por pessoas desaparecidas.
Com AFP