A decisão da Justiça da Itália que anulou a autorização para a extradição de Carla Zambelli, no processo em que ela foi condenada por perseguir um homem armada em São Paulo, teve como principal fundamento a ausência de informações sobre a assistência médica que a ex-deputada federal receberia caso fosse detida no Brasil.
No documento, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo portal G1, os juízes rejeitaram os argumentos da defesa que apontavam perseguição política, irregularidades no julgamento conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), violação ao princípio do juiz natural e condições inadequadas do sistema prisional brasileiro.
Para os magistrados, esses fatores, por si só, não impedem a extradição. O ponto considerado determinante foi a insuficiência de informações sobre as condições em que Zambelli cumpriria a pena, especialmente em relação ao atendimento médico.
Segundo a decisão, a promessa de monitoramento periódico de seu estado de saúde não é suficiente para comprovar que ela teria acesso ao tratamento especializado e aos medicamentos de que necessita.
Com a decisão, o caso retorna à Corte de Apelação de Roma, que realizará um novo julgamento após o governo de Luiz Inácio Lula da Silva apresentar informações complementares sobre as condições de cumprimento da pena e da assistência médica de Zambelli, caso ela seja entregue às autoridades brasileiras. Ainda não há data para a nova análise.
Enquanto isso, o deputado italiano Angelo Bonelli afirmou à imprensa brasileira, durante um evento na Câmara Municipal de São Paulo, que o paradeiro de Zambelli é desconhecido.
De acordo com ele, a ex-deputada foi vista pela última vez em uma igreja em Roma, e aliados suspeitam que ela esteja escondida enquanto aguarda o desfecho das eleições brasileiras.
"Se o [Flávio] Bolsonaro ganhar, pode ser que o governo futuro pense em fazer uma anistia para quem cometeu crime como a Carla Zambelli", declarou.
Bonelli também criticou a ex-parlamentar por utilizar a cidadania italiana para evitar a Justiça brasileira e afirmou que "ninguém é intocável".
Na avaliação do deputado italiano, o caso de Zambelli difere do de Cesare Battisti, que recebeu asilo político no Brasil em 2009, apesar de ter sido condenado por quatro assassinatos na Itália. Em 2019, Battisti foi extraditado e atualmente cumpre pena em uma prisão italiana.