Jovem de 17 anos é preso sob acusação de planejar massacre em escola na Itália

Caso reacendeu debate sobre idade mínima para uso de redes sociais

30 mar 2026 - 13h46

A polícia italiana prendeu nesta segunda-feira (30) um jovem de 17 anos, natural de Pescara, sob a acusação de planejar um massacre em uma escola do país.

    Segundo os carabineiros do Grupo de Operações Especiais (ROS), o menor também é acusado de propaganda e incitação ao crime com base em discriminação racial, étnica e religiosa, além de posse de material para fins terroristas.

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    A investigação, coordenada pela Procuradoria da Infância e Juventude de L'Aquila, aponta que o suspeito buscava manuais e informações para a fabricação de artefatos explosivos, armas de fogo e substâncias químicas e bacteriológicas perigosas.

    O material apreendido inclui ainda manuais de sabotagem de serviços públicos essenciais, instruções para construção de armas tridimensionais e preparação de TATP (peróxido de acetona), substância apelidada de "mãe de Satanás" e já utilizada em ataques em Bruxelas e Paris.

    O jovem, cuja identidade não foi revelada, já havia sido alvo de buscas nos últimos meses, mas o inquérito permanece sob sigilo.

    De acordo com as autoridades italianas, ele participava do grupo no Telegram "Werwolf Division", que exaltava os ataques de Brenton Tarrant e Anders Breivik, responsáveis por tragédias na Nova Zelândia e na Noruega, respectivamente, e manifestava interesse explícito em realizar um massacre inspirado no ocorrido em Columbine.

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    A operação do ROS deflagrou buscas por sete menores nas províncias de Teramo, Perugia, Pescara, Bolonha e Arezzo, todos investigados por participação em propaganda e incitação ao crime de caráter racista, étnico e religioso, integrando uma rede internacional de grupos neonazistas, aceleracionistas e supremacistas.

    Somente na região de Teramo, quatro menores estão sob investigação, sendo três que residem na capital da província, incluindo o jovem de Pescara, e um em Sant'Egidio alla Vibrata.

    Os dispositivos eletrônicos de todos estão sendo analisados para determinar o envolvimento em canais de redes sociais que promovem violência e a glorificação de assassinos em massa.

    O caso reacendeu o debate sobre o uso das redes sociais por menores de idade. Em Milão, o ministro da Educação e Mérito da Itália, Giuseppe Valditara, comentou que a prisão do jovem "confirma a necessidade de considerar a questão das redes sociais com muita atenção, trabalhando com empresas e operadores para encontrar soluções, porque não se trata apenas de proibir menores de idade." Segundo ele, projetos de lei em debate preveem idade mínima de 14 anos para uso de redes sociais, semelhante a medidas adotadas em outros países.

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    A investigação que levou à prisão do adolescente teve origem em Brescia, no âmbito de operações anteriores contra indivíduos ligados a grupos virtuais de extrema-direita com visões neonazistas, supremacistas, xenófobas e antissemitas.

    Durante essas ações, outros 29 membros da rede, com idades entre 18 e 25 anos (cinco menores na época), foram identificados e permanecem sob investigação. .

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