Jornalista italiano admite ter forjado atentado contra si próprio

Adriano Cappellari havia recebido solidariedade de Meloni por 'ataque'

7 ago 2026 - 13h43
(atualizado às 14h48)

Um jovem jornalista italiano admitiu nesta sexta-feira (7) que forjou um atentado contra sua própria casa para se passar por vítima do crime organizado.

Adriano Cappellari e uma foto do incêndio diante de sua casa
Adriano Cappellari e uma foto do incêndio diante de sua casa
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A confissão está em uma carta escrita pelo repórter Adriano Cappellari, de 20 anos, e entregue à procuradora de Vicenza, Alessia Grenna, que lidera as investigações sobre o caso.

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O falso atentado ocorreu no fim de maio, em Enego, no norte da Itália, quando cartuchos de gás foram incendiados na entrada da residência do jornalista durante a madrugada.

O autor do "ataque" também deixou uma carta contendo fotos de Cappellari com um "x" sobre o rosto e ameaças ao padre Maurizio Patriciello, conhecido por sua luta contra a máfia napolitana Camorra e que participaria de um evento na região no dia seguinte, e à premiê Giorgia Meloni.

O jornalista chegou a receber mensagens de solidariedade de Meloni, que pediu que ele não se deixasse "intimidar" pelas supostas ameaças e defendeu que a Itália precisava de "jovens corajosos como ele", bem como de ministros, governadores, prefeitos, lideranças do Parlamento, sindicatos e expoentes partidários.

No fim de julho, no entanto, veio à tona que Cappellari estava sendo investigado por suspeita de forjar o atentado, em um inquérito que apura possíveis delitos de incêndio, calúnia e simulação de crime.

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Segundo os investigadores, foi o próprio jornalista quem incendiou cilindros de gás diante de sua casa, como ficou evidenciado por imagens de câmeras de segurança dos arredores.

Além disso, os policiais descobriram que Cappellari foi a única pessoa em Enego que havia encomendado pela internet os artefatos utilizados no crime. Da mesma forma, eram falsas três cartas ameaçadoras que ele dizia ter recebido entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026.

Acuado pelo inquérito, Cappellari compareceu ao Ministério Público de Vicenza nesta sexta e admitiu a farsa. "Estou aqui hoje porque sinto o dever de pedir desculpas", diz ele na carta entregue aos procuradores. "Muitos acreditaram em mim, me defenderam e sofreram comigo. A todos eles, peço sinceramente perdão, porque trai sua confiança", acrescenta.

No documento, o jornalista explica que se deixou "dominar pela emoção, pelo medo e por um profundo mal-estar pessoal", em um período de "forte contraposição" política em seu município.

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"Perdi a lucidez e fiz um gesto sem realmente perceber as consequências que teria na minha vida e na de muitas outras pessoas", ressalta Cappellari, que diz estar vivendo "um drama difícil de lidar".

Ele ainda promete "colaborar plenamente com a autoridade judiciária" e se oferece a dom Patriciello para dar "uma pequena e concreta contribuição em prol de quem vive em situações difíceis". "Sei que isso não apagará o ocorrido, mas espero que meu compromisso possa significar um primeiro passo para tentar reparar, ao menos em parte, o dano que causei", conclui.

Antes mesmo da confissão, dom Patriciello já havia se pronunciado e dito que desculpava o jornalista. "Você é muito jovem, peça perdão e se levante. Da minha parte, o perdão já partiu, mas me ligue se precisar", afirmou o padre na semana passada.

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