Itália nega alerta sobre supostos ataques russos com drones no Mediterrâneo

Jornal espanhol revelou que EUA identificaram planos de Moscou para possível operação

24 set 2026 - 08h51
(atualizado às 09h10)
Resumo
O governo italiano negou a existência de alertas sobre supostos ataques russos com drones lançados no Mediterrâneo contra Itália, Espanha e França, refutando reportagem do jornal El Mundo. O ministro da Defesa, Guido Crosetto, desmentiu a informação, enquanto a inteligência local afirmou não ter recebido comunicados formais. O plano divulgado envolvia o uso de navios mercantes para atingir infraestruturas locais, gerando pedidos da oposição italiana por esclarecimentos de segurança.

O governo italiano afirmou nesta quinta-feira (24) que um suposto alerta sobre possíveis ataques russos contra Itália, França e Espanha, publicado pelo jornal espanhol "El Mundo", não foi confirmado pelas autoridades do país.

Declaração foi dada pelo ministro da Defesa, Guido Crosetto
Declaração foi dada pelo ministro da Defesa, Guido Crosetto
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

"O alarme levantado esta manhã por um jornal espanhol, que levanta a hipótese de possíveis ataques à Itália, Espanha e França por navios e drones russos, não serve a ninguém e não foi confirmado", escreveu o ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, em uma publicação na rede social X.

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Segundo o ministro, diante do cenário internacional "difícil e tenso", "colocar lenha na fogueira não ajuda ninguém".

A reportagem do "El Mundo" revela que serviços de inteligência dos Estados Unidos teriam identificado planos russos para uma possível operação com drones lançados de navios mercantes no Mediterrâneo.

A publicação espanhola explica que os drones poderiam ser transportados em contêineres e lançados a algumas centenas de quilômetros da costa. O voo levaria entre uma hora e 15 minutos e duas horas, dependendo da velocidade real.

O modelo mencionado é o Gerbera, descrito como um dispostivo de aproximadamente dois metros de comprimento, com envergadura de 2,5 metros, peso de até 18 quilos, velocidade de cerca de 160 km/h e alcance estimado em 600 quilômetros.

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Sua pequena carga explosiva (4 a 5 kg) é insuficiente para destruir uma grande estrutura, mas pode provocar incêndios, danificar equipamentos expostos ou paralisar temporariamente as operações de um porto ou aeroporto.

"Eles usarão drones lançados do mar, escondidos dentro de contêineres de carga; não é nada difícil", explica uma fonte próxima ao Ministério da Defesa da Lituânia.

O "El Mundo" apresenta ainda um mapa para detalhar que grande parte do território italiano estaria dentro do alcance potencial desses aparelhos, com exceção do Nordeste do país.

A reportagem atribui as revelações a fontes de segurança e defesa europeias e afirma que autoridades de Espanha, França e Itália teriam sido avisadas sobre a possibilidade de uma operação russa.

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A Lituânia, assim como outros países, teria tomado conhecimento da informação logo após a misteriosa viagem do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Moscou, em 25 de agosto. Fontes, inclusive, indicaram que os governos da Itália, Espanha e França já estão cientes.

A publicação também observa que os três países "realizarão campanhas eleitorais e eleições em 2027 e abrigam forças radicais capazes de explorar o medo e a desilusão em relação à Ucrânia". "Particularmente na França e na Itália, existem vínculos ou posições claramente alinhados aos interesses do Kremlin", enfatiza.

Fontes qualificadas ouvidas pela ANSA afirmaram, porém, que o suposto alerta não chegou até o momento a nenhum nível operacional italiano, seja nos canais de inteligência, diplomáticos ou militares.

O episódio provocou também reações políticas na Itália. Carlo Calenda, líder do partido Azione, pediu que a primeira-ministra Giorgia Meloni convoque os partidos de oposição para prestar esclarecimentos sobre a situação de segurança.

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"As revelações do El Mundo, a reunião de emergência convocada por Macron com a oposição e as declarações extremamente duras de Le Pen contra a Rússia apontam para uma ameaça direta à França, à Itália e à Espanha", afirmou Calenda durante o programa 24 Mattino, da Rádio 24, defendendo que Meloni "convoque a oposição e informe-a sobre a situação de segurança do país". 

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