Itália faz transplante inédito e recupera visão de idosa cega há 5 anos

Mulher de 67 anos foi a 1º do mundo a receber parte central da retina, a mácula

28 jul 2026 - 13h21
(atualizado às 13h53)

Uma mulher de 67 anos voltou a enxergar após mais de cinco anos de cegueira total graças a um transplante bem-sucedido e inédito realizado no Hospital Molinette, em Turim, no norte da Itália.

A cirurgia, considerada a primeira do tipo no mundo, consistiu na transferência de todo o segmento anterior do olho e da parte central da retina (a mácula) de um olho para o outro da própria paciente.

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O procedimento foi conduzido pela equipe da Clínica Oftalmológica Universitária do Hospital Molinette, liderada pelo professor Michele Reibaldi.

"Até agora, um transplante simultâneo do segmento anterior havia sido realizado apenas uma vez em todo o mundo, pelo professor Vincenzo Sarnicola e por mim, aqui mesmo no Molinette. Nunca antes havia sido possível transplantar a zona central da retina", explicou o especialista.

A paciente, identificada apenas como Elena, perdeu completamente a visão após um grave acidente de carro. O trauma causou danos irreversíveis ao nervo óptico do olho esquerdo, impedindo a transmissão dos estímulos visuais ao cérebro, apesar de a estrutura ocular permanecer preservada.

Por outro lado, o olho direito, que já apresentava maculopatia, sofreu lesões que comprometeram de forma definitiva a retina e a córnea, tornando inviável um transplante convencional.

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Diante do quadro, considerado sem alternativas terapêuticas, a equipe médica desenvolveu uma técnica inovadora. Os cirurgiões utilizaram os tecidos saudáveis, porém sem função visual, do olho esquerdo para reconstruir o direito. Foram transplantados em bloco a córnea, a esclera, a conjuntiva e, pela primeira vez no mundo, a mácula, região responsável pela visão central e pelos detalhes das imagens.

Essa transferência biológica permitiu reconstruir um olho capaz de enxergar, utilizando partes de dois olhos comprometidos. A cirurgia durou quase seis horas e exigiu a atuação conjunta de oftalmologistas, anestesiologistas, enfermeiros e outros profissionais do Hospital Molinette.

De acordo com Reibaldi, a paciente começou a perceber a luz e, em menos de três semanas, passou a enxergar inicialmente em preto e branco e, posteriormente, a distinguir as cores. "Sua qualidade de vida certamente mudará", enfatizou.

A recuperação também foi marcada por um momento de forte emoção. Ao abrir os olhos, Elena conseguiu reconhecer o rosto do filho e de Joe, seu cão-guia, que permaneceu ao seu lado durante toda a internação após autorização da direção do hospital.

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"Estou radiante", declarou a paciente, que logo verá seu neto.Na sequência, Elena brincou ao lamentar a passagem do tempo: "Mas estou chateada agora que me vi no espelho: eu parecia melhor cinco anos atrás".

Os exames clínicos indicam que os tecidos transplantados foram integrados com sucesso e que a recuperação funcional do olho continua evoluindo. Embora o acompanhamento médico prossiga para avaliar o desempenho da retina transplantada a longo prazo, os primeiros resultados são considerados promissores.

Para Reibaldi, o procedimento inaugura uma nova fronteira na cirurgia oftalmológica e pode abrir caminho para futuras abordagens em pacientes com lesões oculares complexas. "Foi uma maratona cirúrgica de alta complexidade, com duração de quase seis horas, viabilizada apenas graças a uma colaboração extraordinária entre oftalmologistas, anestesiologistas, enfermeiros e a administração do hospital", afirmou.

Já o diretor-geral da Città della Salute e della Scienza de Turim, Livio Tranchida, classificou a intervenção como um feito extraordinário e agradeceu aos profissionais que "tornaram esse milagre possível". "Esta é mais uma demonstração do valor da saúde pública, na qual acredito firmemente", concluiu. 

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