O governo italiano convocou nesta terça-feira (21) o embaixador da Rússia em Roma, Alexey Paramonov, para protestar formalmente contra os insultos proferidos pelo apresentador de TV Vladimir Solovyov contra a primeira-ministra Giorgia Meloni.
Durante um programa ao vivo, Solovyov ? conhecido por ser um ferrenho apoiador do Kremlin ? se referiu a Meloni como "idiota certificada", "besta natural", "vergonha da raça humana" e "mulher má" e usou o trocadilho ofensivo "PuttaMeloni" ? uma mistura da palavra "puttana" (prostituta, em italiano) com o sobrenome da primeira-ministra.
"Essa Meloni, uma patife fascista, traiu seus próprios eleitores ao se candidatar com slogans completamente diferentes... Mas traição é o seu sobrenome. Ela traiu Trump, a quem havia jurado lealdade", acrescentou o âncora, em referência às recentes divergências entre o presidente dos Estados Unidos e a premiê por conta dos ataques do americano ao papa Leão XIV.
O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, anunciou a convocação de Paramonov em sua conta oficial no X.
"Convoquei o embaixador russo para protestar formalmente após as gravíssimas e ofensivas declarações feitas pelo apresentador Vladimir Solovyov na televisão russa contra a primeira-ministra Giorgia Meloni, a quem estendo minha total solidariedade e apoio", escreveu Tajani.
O presidente da República, Sergio Mattarella, também enviou uma mensagem de solidariedade à premiê, manifestando indignação com os comentários vulgares de Solovyov, segundo fontes do Palácio do Quirinale. Já a deputada Elly Schlein, líder do opositor Partido Democrático (PD), definiu os insultos como "inaceitáveis".
O episódio ocorre em meio às recorrentes tensões diplomáticas entre os dois países por conta da invasão russa à Ucrânia, em fevereiro de 2022. A Itália, membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da União Europeia, tem sido um dos países ocidentais mais firmes no apoio a Kiev e na defesa das sanções contra Moscou.
Aliado fiel do presidente Vladimir Putin, Solovyov é alvo de sanções da UE, dos EUA, do Canadá e do Reino Unido por seu papel na propaganda de guerra do Kremlin. Em 2022, as autoridades italianas apreenderam duas mansões atribuídas ao apresentador e localizadas à margem do Lago de Como, avaliadas em 8 milhões de euros (R$ 46,8 milhões). .