Itália avalia prorrogar controles de fronteira com Espanha por crise migratória

Decisão sobre espaço Schengen deve ser tomada nesta segunda-feira (31)

30 ago 2026 - 15h06
(atualizado às 15h24)
Resumo
A Itália decide nesta segunda-feira se prorroga a suspensão do Acordo de Schengen e mantém o controle de fronteiras com a Espanha. A medida, em vigor desde 1º de agosto para chegadas aéreas e marítimas, visa conter a crise migratória no enclave de Ceuta e mitigar riscos terroristas. O ministro do Interior italiano, Matteo Piantedosi, afirma que a situação no local segue grave, com milhares de migrantes sem identificação, enquanto a Espanha critica a falta de solidariedade de Roma na gestão da crise.

A Itália deve decidir nesta segunda-feira (31) se manterá os controles de fronteira para passageiros que chegam da Espanha por via aérea e marítima, em meio à persistência da crise migratória em Ceuta.

Medida foi tomada após 'invasão' de migrantes em Ceuta
Medida foi tomada após 'invasão' de migrantes em Ceuta
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A medida, adotada em 1º de agosto e inicialmente prevista para durar um mês, suspendeu temporariamente a aplicação do Acordo de Schengen entre os dois países.

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O ministro italiano do Interior, Matteo Piantedosi, afirmou que a situação em Ceuta "não melhorou de forma alguma" e continua "complicada".

Segundo ele, informações de fontes espanholas indicam que entre 5 mil e 10 mil migrantes ainda permanecem no enclave, "quase todos não identificados ou não totalmente identificados".

Piantedosi também citou um alerta de agências de inteligência espanholas sobre a possível presença de indivíduos com vínculos jihadistas. Apesar disso, o ministro ressaltou que Roma fará uma avaliação antes de decidir pela continuidade dos controles.

"Faremos uma avaliação serena", afirmou Piantedosi durante o evento "La Piazza - Il Bene Comune", em Ceglie Messapica.

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De acordo com ele, a decisão final será tomada no dia 31 de agosto, data prevista para o fim da suspensão.

O ministro também procurou afastar a possibilidade de um conflito diplomático com Madri. "Nunca houve intenção de entrar em conflito com o governo espanhol" ou com a própria Espanha, declarou, classificando o país vizinho como uma "nação irmã".

A imprensa espanhola, entretanto, afirma que o governo da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, já se prepara para prolongar os controles.

O jornal La Vanguardia publicou neste fim de semana a manchete "Meloni se prepara para prolongar o impasse com a Espanha sobre Schengen" e informou que Roma avalia manter a medida por pelo menos mais um mês.

Entre os argumentos considerados pelo governo italiano estão a deterioração da situação em Ceuta e possíveis riscos relacionados ao terrorismo. Segundo informações citadas pelo jornal, a possibilidade de prorrogação já vinha sendo discutida dentro do governo italiano desde meados de agosto.

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Até agora, porém, os controles teriam produzido resultados limitados. Poucos indivíduos em situação irregular foram identificados e, conforme relatos, nenhum deles teria vindo de Ceuta.

A tensão no enclave espanhol também aumentou nos últimos dias. Quatro migrantes, entre eles um menor de idade, foram detidos após uma emboscada contra um posto de controle militar na noite de sexta-feira (28) para sábado (29).

Um sargento sofreu um ferimento leve na cabeça ao cair enquanto tentava interceptar um dos suspeitos.

O episódio ocorreu apenas um dia depois de outro incidente no bairro de Benzù, próximo à fronteira. Na ocasião, cinco pessoas ficaram feridas por pedradas e 12 migrantes de origem marroquina foram detidos.

A sequência de episódios alimentou novas críticas dentro da política italiana. Maurizio Gasparri, presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Senado, questionou a avaliação de que a crise estaria controlada.

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Segundo Gasparri, cerca de 5 mil pessoas que chegaram a Ceuta no fim de julho ainda permanecem no enclave, enquanto continuam ocorrendo confrontos e episódios de tensão com militares, agentes de segurança e moradores locais.

A Comissão Europeia também acompanha o cenário. O comissário europeu para a Migração, Magnus Brunner, afirmou que a situação em Ceuta continua complexa e disse apoiar as medidas adicionais adotadas recentemente pela Espanha.

"A prioridade continua sendo garantir a rápida repatriação de todos aqueles que permanecem ilegalmente em Ceuta", declarou.

Brunner informou ainda que a Espanha solicitou apoio adicional à União Europeia, incluindo assistência da Frontex, da Europol e da Agência da União Europeia para o Asilo (EUAA). "Já estamos trabalhando na solicitação e tomaremos uma decisão rápida", concluiu.

A crise também ampliou as divergências políticas entre os governos italiano e espanhol. Durante uma audiência no Congresso espanhol, o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, acusou a Itália de falta de solidariedade e de utilizar a crise migratória para obter vantagens políticas.

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Uma das possibilidades em discussão seria manter os controles italianos até 6 de setembro, data até a qual a Espanha decidiu conservar medidas adotadas em resposta à decisão de Roma. Madri, contudo, também poderá optar por prolongar suas próprias restrições.  

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