Nepal inicia enterros coletivos de vítimas não identificadas de enchentes, enquanto famílias procuram desaparecidos

30 ago 2026 - 16h09
(atualizado às 17h14)
Resumo
Após o colapso de uma geleira deixar quase 800 mortos e mais de 3.000 desaparecidos no Nepal, autoridades iniciaram o sepultamento coletivo de centenas de vítimas não identificadas em Chitwan para conter riscos à saúde pública. Devido ao avançado estado de decomposição dos corpos, necrotérios locais estão sobrecarregados. Amostras de DNA e registros precisos dos locais das covas estão sendo feitos com apoio de peritos internacionais para permitir futuras exumações e identificações pelas famílias.

O pitoresco distrito de Chitwan, no Nepal, conhecido por suas florestas e ‌rios, tornou-se palco de sepultamentos coletivos de centenas de vítimas não identificadas, cujos corpos foram arrastados pela torrente que devastou a região do Himalaia há alguns dias.

Nas planícies, a quase 200 km dos vales de Rasuwa, devastados pelas enchentes, onde o desastre ocorreu na quarta-feira, as autoridades cavaram centenas de sepulturas na floresta de Devghat, em Chitwan.

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Até recentemente, as trilhas da floresta eram um local popular para caminhadas matinais. Agora, servem como cemitério temporário para corpos em ⁠estado de decomposição avançada, impossíveis de serem identificados.

"Não tivemos outra opção e tivemos que tomar essa medida. Nossa preocupação era ‌o risco à saúde pública representado pela rápida decomposição dos corpos", disse Ganesh Aryal, chefe distrital de

Bharatpur, em Chitwan.

As autoridades enterraram 96 corpos não identificados na floresta no sábado e planejavam enterrar mais de 100 outros no domingo, ‌enquanto equipes de resgate continuam a retirar vítimas dos rios e ‌das pilhas de escombros.

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Quase 800 pessoas morreram e mais de 3.000 estão desaparecidas após uma enchente repentina, provocada ⁠pelo colapso de uma geleira, ter varrido vales ao longo da fronteira do Nepal com a China, causando danos catastróficos.

Cerca de 100 socorristas, policiais e outras autoridades estavam ajudando a registrar os mortos, fotografando os restos mortais, auxiliando os familiares na identificação e preparando os corpos para o enterro.

As autoridades afirmaram que cada local de sepultamento foi cuidadosamente registrado, com marcadores de identificação colocados tanto acima quanto abaixo do solo e dados precisos de localização registrados.

Amostras de ‌DNA foram coletadas dos mortos não identificados pelas autoridades nepalesas, permitindo que localizem e exumem os restos mortais caso as vítimas ‌sejam identificadas posteriormente por meio de ⁠alegações familiares, registros oficiais ou ⁠testes genéticos.

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A Índia já enviou uma equipe forense que trabalhará em conjunto com seus pares nepaleses para apoiar a análise das amostras ⁠de DNA. O Nepal também está em contato com uma equipe ‌da China.

CENAS MACABRAS E FEDOR

No Hospital de ‌Bharatpur, o fedor de decomposição já era sentido no portão, a cerca de 200 metros de um necrotério provisório onde cerca de 50 policiais e funcionários do hospital lidavam com os corpos recuperados, a maioria usando apenas máscaras cirúrgicas básicas.

As autoridades permitiram brevemente que um repórter da Reuters visse as instalações da entrada.

Cerca de ⁠125 corpos jaziam no chão, muitos deles em estado avançado de decomposição após dias nas águas da enchente, sobrecarregando um necrotério projetado para acomodar apenas 50 corpos.

"Os corpos estão se decompondo rapidamente", disse o inspetor Anil Thapa, que supervisiona uma das várias instalações que lidam com os mortos no distrito atingido pelo desastre.

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"Dos corpos que recuperamos até agora, mais da metade está irreconhecível", disse Thapa à Reuters. "Muitos ‌não têm rosto visível."

A poucas centenas de metros dali, o Chitwan Expo Centre tornou-se o ponto central para famílias enlutadas em busca de parentes desaparecidos.

Mais de 200 pessoas se reuniram do lado de fora de um salão onde ⁠se esperava que fossem exibidas fotografias dos corpos recuperados para permitir a identificação visual. Muitos na multidão carregavam mochilas e bagagens, o que sugere que vieram de distritos distantes.

Várias famílias disseram que haviam chegado no dia anterior, mas ainda não tinham sido autorizadas a entrar no salão.

Nas proximidades, uma casa antiga de um único andar foi transformada em um local temporário para armazenamento de corpos que aguardam identificação.

Três tendas estavam montadas do lado de fora do prédio, incluindo um balcão de atendimento da Cruz Vermelha do Nepal e um posto de registro da polícia. Incenso queimava sob as mesas, mas pouco aliviava o odor.

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Quando a repórter da Reuters se aproximou, um policial entregou uma máscara, enquanto outro instruía os pares a reabastecerem o estoque de máscaras caso este se esgotasse.

O interior escuro continha salas cheias de sacos para cadáveres empilhados em beliches. Gelo seco estava colocado perto das entradas, enquanto aparelhos de ar-condicionado e uma unidade de resfriamento industrial funcionavam continuamente, em um esforço para retardar a decomposição.

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