Equipes de resgate enfrentam enchentes e escombros enquanto número de mortos no desastre no Himalaia se aproxima de 800

30 ago 2026 - 15h37
(atualizado às 16h34)
Resumo
O colapso de uma geleira no Himalaia gerou um devastador deslizamento de terra na fronteira entre Nepal e China, deixando quase 800 mortos e mais de 3.000 desaparecidos. O desastre afetou cerca de 90 mil pessoas e mobilizou milhares de militares e equipes internacionais. As buscas enfrentam condições climáticas severas, risco de novas inundações e lamaçal, concentrando esforços para resgatar centenas de trabalhadores que estão presos em túneis inundados de complexos hidrelétricos no Nepal.

Equipes de resgate no Nepal e na China correram ‌no domingo para localizar milhares de pessoas desaparecidas depois que o colapso de uma geleira provocou um deslizamento de terra catastrófico no Himalaia, enquanto enfrentavam condições climáticas adversas e o aumento do nível das águas.

As autoridades informaram que o número de mortos subiu para quase 800 neste domingo, com mais de 3.000 pessoas desaparecidas em ambos os lados da fronteira entre o Nepal e a China, depois que ⁠uma torrente de gelo, rochas, lama e detritos varreu vales montanhosos e rios na quarta-feira, causando devastação generalizada.

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A ‌Cruz Vermelha estimou que mais de 90 mil pessoas devem ter sido afetadas pelo desastre, que a China atribuiu aos efeitos das mudanças climáticas.

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse ‌a seu homólogo nepalês durante uma ligação telefônica no sábado que ‌o deslizamento de terra foi o "desastre transfronteiriço mais grave" dos últimos anos e que as ⁠operações de resgate atingiram um nível sem precedentes de dificuldade e complexidade, informou a emissora estatal CCTV.

A autoridade de desastres do Nepal informou que 781 pessoas morreram e 2.502 estão desaparecidas. Do lado chinês, as autoridades informaram que 16 pessoas morreram no condado de Gyirong e 546 estão desaparecidas.

Pequim informou que 261 estrangeiros de 23 países estavam desaparecidos no Tibete, próximo a um importante ponto de passagem de fronteira ‌com o Nepal.

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A magnitude do desastre complicou os esforços de resgate no acidentado terreno do Himalaia.

A polícia local ‌no Nepal informou à Reuters ⁠que moradores e equipes de ⁠resgate se deslocaram para terrenos mais elevados depois que o nível do rio Trishuli subiu nas últimas horas, devido ⁠a novas chuvas, aumentando o temor de novas inundações.

As ‌operações de resgate foram suspensas várias ‌vezes desde sexta-feira devido ao mau tempo e à preocupação de que um lago formado na fronteira entre o Nepal e a China pelo desastre pudesse provocar novas inundações depois que começou a transbordar para os rios Lhende Khola e Trishuli, no Nepal.

A CCTV informou que o lago ⁠que ameaçava as áreas a jusante havia sido amplamente drenado até a noite de sábado. No entanto, drones detectaram, no final da tarde de sábado, um deslizamento de terra a 2,8 quilômetros a jusante do lago, formando uma nova barragem e um novo espelho d'água.

No Nepal, os esforços de resgate têm se concentrado cada vez mais em cinco projetos ‌hidrelétricos inundados pelas enchentes, incluindo o complexo Upper Trishuli, onde as autoridades informaram na sexta-feira ter recebido informações de que cerca de 350 pessoas poderiam estar presas dentro de um túnel. Cerca de ⁠10.000 soldados nepaleses foram mobilizados, juntamente com equipes especializadas da China e da Índia.

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As Forças Armadas do Nepal transportaram por via aérea máquinas pesadas para o local remoto neste domingo, e as equipes de resgate chegaram à entrada de um túnel, começando a remover os escombros que bloqueavam o acesso. As autoridades afirmaram que equipes munidas de suprimentos de oxigênio e câmeras entrariam assim que o acesso fosse considerado seguro.

"É muito difícil porque há muitos escombros e não podemos usar explosivos para abrir caminho", disse Dharam Raj Uprety, chefe da autoridade nacional de gestão de desastres do Nepal.

Lok Bahadur Chhetri, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Nepal, disse que o país precisa de assistência internacional em áreas especializadas, incluindo operações de resgate em túneis, testes de DNA, armazenamento refrigerado de corpos e identificação forense de restos mortais em decomposição.

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