"Neste momento, estamos apertando o Hamas pela garganta. Agora controlamos 60% do território da Faixa de Gaza", afirmou Netanyahu durante uma conferência em um assentamento israelense na Cisjordânia ocupada, em trecho transmitido pelo Canal 12.
"Vocês sabem", continuou ele, "estávamos em 50% após a entrada em vigor do cessar-fogo, passamos para 60%, e minha diretriz é chegar a..." - "100!", gritou então a plateia.
"Com calma. Primeiro 70. Vamos começar por isso", respondeu Netanyahu. "Nós os cercamos por todos os lados... Cuidaremos do resto depois."
As declarações ocorrem enquanto Gaza continua sendo palco de violência diária, com ataques israelenses prosseguindo sem interrupção, enquanto Israel e Hamas trocam acusações mútuas de violação do cessar-fogo.
A trégua entrou em vigor sob pressão dos Estados Unidos em 10 de outubro, dois anos após a guerra desencadeada pelo ataque sem precedentes do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.
Segunda fase de cessar-fogo paralisada
A primeira fase do cessar-fogo levou à libertação dos últimos reféns sequestrados em Gaza pelo Hamas, em troca de palestinos detidos por Israel. No entanto, a transição para a segunda fase - que deveria resultar no desarmamento do Hamas e na retirada gradual do exército israelense - permanece completamente paralisada há semanas.
Nos termos do cessar-fogo, as forças israelenses deveriam recuar até uma "linha amarela", nome dado à linha de demarcação entre a área controlada pelo Hamas e a zona mantida pelo exército israelense, que garantia a este último o controle de pouco mais de 50% do território.
Mas Netanyahu anunciou em 15 de maio que o exército havia ampliado seu domínio sobre a Faixa de Gaza. "Alguns nos disseram para sair. Não saímos, e hoje controlamos 60% do território. Amanhã, veremos", declarou.
Mais de dois milhões de palestinos em Gaza estão agora concentrados na área ainda controlada pelo Hamas, onde a situação humanitária permanece "catastrófica", segundo o alerta lançado em 22 de maio na ONU por três grandes ONGs internacionais de ajuda humanitária, que acusam Israel de não cumprir suas obrigações.
com AFP