Israel: Comissão valida eleição e bloco anti-Netanyahu chega unido para consultas com presidente

4 nov 2026 - 08h44
(atualizado às 08h48)
Resumo
A Comissão Eleitoral de Israel validou as eleições, descartando fraudes alegadas por Benjamin Netanyahu, cujo bloco obteve 53 cadeiras e não atingiu a maioria. Diante do início das consultas do presidente Isaac Herzog para formar o governo, a oposição liderada por Gadi Eisenkot, com 48 assentos, busca consenso para criar um governo de emergência. A chave da disputa está nas legendas árabes, que conquistaram um recorde de 19 vagas e podem definir a saída definitiva do premiê do poder.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, inicia as consultas com os partidos para indicar o político encarregado de tentar formar o próximo governo.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, inicia as consultas com os partidos para indicar o político encarregado de tentar formar o próximo governo.
Foto: REUTERS - Bernadett Szabo / RFI

A Comissão Eleitoral de Israel afirmou nesta quarta-feira (4) não ter encontrado indícios de fraude ou de qualquer comprometimento da integridade das eleições realizadas na semana passada. A conclusão foi divulgada após o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, acusar partidos da minoria árabe israelense de manipularem o resultado da votação.

O anúncio ocorreu poucas horas antes de o presidente israelense, Isaac Herzog, iniciar as consultas com os partidos para indicar o político encarregado de tentar formar o próximo governo. Nesse processo, as legendas árabes podem desempenhar um papel decisivo.

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"A auditoria foi concluída. Todas as reclamações apresentadas pelas facções políticas foram revisadas e não foi encontrado nada que indique qualquer dano à integridade das eleições", informou a comissão em comunicado.

Netanyahu e seu partido, o Likud, vinham acusando as legendas árabes de fraude eleitoral. O bom desempenho desses partidos no pleito de 27 de outubro contribuiu para impedir que o premiê alcançasse maioria parlamentar.

Diante das denúncias, a procuradora-geral Gali Baharav-Miara pediu, na terça-feira, que o diretor do Serviço de Segurança Interna, David Zini, aliado de Netanyahu, apresentasse eventuais provas que sustentassem as acusações.

Nesta quarta-feira, porém, a Comissão Eleitoral informou que suas verificações não identificaram "nenhuma irregularidade" nem qualquer sinal de que "os resultados tenham sido alterados".

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Segundo o órgão, foram analisados todos os recursos apresentados por partidos e cidadãos, além de uma revisão detalhada de mais de 9.000 urnas, descrita como uma operação "sem precedentes".

Consultas para formar governo

A conclusão da auditoria tem peso político num momento em que Herzog se prepara para receber os representantes dos partidos que integram o Parlamento. Ao final da rodada de consultas, o presidente deverá indicar, até 11 de novembro, quem considera ter mais condições de formar o próximo governo. A tarefa, no entanto, promete ser complexa. Nenhum dos campos políticos conquistou a maioria absoluta de 61 cadeiras no Parlamento.

Os aliados de Netanyahu ficaram com 53 assentos, enquanto o principal bloco de oposição, liderado pelo centrista Gadi Eisenkot, obteve 48 mandatos.

A oposição reúne partidos de perfis bastante distintos, da esquerda à direita nacionalista, e enfrenta divergências em temas centrais.

Um dos principais impasses é a possibilidade de uma parceria com os partidos árabes israelenses, que conquistaram um número recorde de 19 cadeiras no Knesset, nome do Parlamento de Israel em hebraico.

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Caso esses partidos apoiem Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior do Exército, o bloco oposicionista poderá alcançar a maioria parlamentar e encerrar o longo período de Netanyahu no poder, o mais duradouro da história de Israel.

Na terça-feira, os cinco líderes do chamado "bloco da mudança", liderado por Eisenkot, reuniram-se para alinhar uma estratégia comum. Todos declararam disposição para negociar um "governo de emergência nacional", embora ainda não tenham explicado como pretendem alcançar a maioria necessária.

Com AFP

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