Israel ataca sul do Líbano após suspender ataque a Beirute

2 jun 2026 - 11h44

Israel manteve os ataques no sul do Líbano nesta terça-feira, intensificando ‌sua campanha contra o Hezbollah um dia depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, pediu ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que não atacasse Beirute para evitar uma nova escalada na guerra.

Após a intervenção de Trump, o governo do Líbano disse que Israel não iria realizar ataques que havia anunciado nos subúrbios do sul de Beirute, controlados pelo Hezbollah, enquanto o grupo interromperia as ações contra Israel.

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Mas o anúncio não conseguiu tranquilizar muitos libaneses nem interromper a guerra mais ampla no sul do Líbano, que Netanyahu prometeu manter. O barulho de um drone israelense sobre Beirute deixou os moradores ⁠nervosos nesta terça-feira.

O governo libanês disse que tentaria expandir o cessar-fogo em conversas com autoridades israelenses em Washington nesta terça-feira, a última de uma série ‌de reuniões frente a frente das quais Beirute participou, apesar das objeções do Hezbollah.

O Irã exigiu um cessar-fogo no Líbano como parte de qualquer acordo mais amplo com os EUA para acabar com a guerra iniciada no fim de fevereiro.

ATAQUES AÉREOS

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No sul, os ataques aéreos israelenses e os disparos ‌de artilharia atingiram uma série de cidades. Militares israelenses ordenaram que os moradores da cidade ‌de Nabatiyeh saíssem antes dos ataques.

O Hezbollah anunciou duas operações contra as forças israelenses no sul do Líbano na madrugada desta terça-feira, ⁠mas não houve ataques com foguetes entre fronteiras. Os militares israelenses disseram durante a noite que interceptaram dois projéteis que atravessaram a fronteira do Líbano para o território israelense.

Se as comunidades do norte de Israel fossem atacadas, os militares israelenses retirariam a população da área de perigo e atacariam os subúrbios do sul de Beirute, alertou o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, em comentários fornecidos por seu gabinete.

IRÃ AUMENTA APOSTA

Faten Al Chehime, moradora de Beirute, disse que os avisos israelenses a levaram a fugir de sua casa nos subúrbios do sul na segunda-feira, apenas duas semanas depois ‌de ter retornado.

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"Toda vez que voltamos para nossas casas, há um aviso de que seremos deslocados novamente", disse Chehime, falando em um acampamento que abriga pessoas ‌deslocadas em Beirute.

Mais de 1,2 milhão de pessoas ⁠no Líbano foram desalojadas pela guerra, que ⁠começou quando o Hezbollah disparou contra Israel em apoio a Teerã, em 2 de março.

Israel bombardeou os subúrbios do sul de Beirute, conhecidos como Dahiyeh, em uma ⁠fase inicial da guerra, mas realizou apenas dois ataques desde que Trump declarou um cessar-fogo ‌no Líbano, em abril.

As tensões aumentaram na segunda-feira, ‌depois que Netanyahu ordenou ataques a Dahiyeh, com a mídia estatal iraniana informando que Teerã havia interrompido as conversas indiretas com Washington devido às ações israelenses no Líbano. Militares do Irã alertaram os residentes do norte de Israel que deveriam sair para evitar danos, caso o país atacasse Beirute.

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"Se a agressão israelense ao Líbano continuar, não apenas interromperemos as negociações, mas estaremos em um confronto direto com o ⁠inimigo", disse o principal negociador do Irã, o presidente do Parlamento Mohammad Bagher Qalibaf, ao presidente do Parlamento libanês Nabih Berri, de acordo com uma postagem de Qalibaf no X.

Uma enxurrada de ligações pareceu neutralizar a escalada: Trump disse que havia pedido a Netanyahu para não realizar um grande ataque a Beirute e que o Hezbollah, por meio de intermediários, havia se comprometido a não atacar Israel.

Nenhum presidente dos EUA jamais conversou com o Hezbollah, com ou sem intermediários. Washington classifica o Hezbollah como uma organização terrorista.

BEIRUTE ‌PRETENDE REFORÇAR CESSAR-FOGO NAS NEGOCIAÇÕES

Uma autoridade libanesa sênior disse à Reuters que o objetivo das negociações em Washington, que começam nesta terça-feira, seria chegar a um acordo sobre maneiras práticas e sustentáveis de reforçar o cessar-fogo, possivelmente por meio de abordagens em fases.

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A autoridade disse que isso ⁠poderia significar o estabelecimento de "zonas-piloto" -- áreas geográficas específicas onde as hostilidades cessariam, as tropas israelenses se retirariam e os soldados libaneses se posicionariam, avançando gradualmente até um cessar-fogo total em todo o Líbano.

A autoridade disse que, embora o Hezbollah não tenha anunciado seu endosso ao cessar-fogo parcial, o grupo interrompeu os disparos contra o norte de Israel.

Israel quer que o Hezbollah seja desarmado -- um objetivo compartilhado pela administração libanesa liderada pelo presidente Joseph Aoun e pelo primeiro-ministro Nawaf Salam.

Questionado sobre os anúncios de segunda-feira à noite, Youssef al-Zein, chefe da assessoria de imprensa do Hezbollah, disse que o grupo não tomaria uma posição pública sem uma declaração formal que obrigasse Israel a implementar uma cessação abrangente das hostilidades em todo o território libanês.

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Ele apontou para os contínuos ataques aéreos de Israel no Líbano após uma trégua de 2024, que encerrou a última guerra entre o Hezbollah e Israel, e após a trégua de 16 de abril anunciada por Trump.

"O Hezbollah monitorará os acontecimentos tanto no campo de batalha quanto nos canais diplomáticos nos próximos dias", disse Zein.

O Ministério da Saúde libanês diz que mais de 3.400 pessoas foram mortas no Líbano por ataques israelenses desde 2 de março.

Israel afirma que 26 de seus soldados e quatro civis foram mortos em ataques do Hezbollah desde março.

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