Desde a noite de domingo, 7, o Irã disparou seis salvas de mísseis contra Israel, em resposta a um bombardeio israelense na periferia sul de Beirute, reduto do Hezbollah, que deixou dois mortos e 20 feridos. Em represália, as forças israelenses atacaram vários alvos em território iraniano.
Teerã considerou os ataques como um "aviso". Nesta segunda-feira, 8, Jerusalém amanheceu sob o som de explosões e sirenes. As escolas foram fechadas em todo o país, e o Exército israelense permanece em "estado de alerta elevado", pronto para continuar operações "em todas as frentes" contra ameaças.
Em Teerã, uma forte explosão foi ouvida pela manhã e sacudiu o prédio do Ministério das Relações Exteriores, onde ocorria uma coletiva de imprensa. Horas antes, a TV estatal iraniana havia relatado explosões na capital e nas cidades de Tabriz, no noroeste, e Isfahan, no centro.
Ao mesmo tempo, o Exército israelense informou que bombardeou "alvos militares do regime iraniano" nessas regiões. Nesta segunda, de acordo com um comunicado do Exército israelense, "dezenas de caças da Força Aérea israelense realizaram um grande ataque contra sistemas de defesa estratégicos" no país. Os sistemas destruídos foram implantados "como parte dos esforços do regime para restabelecer suas capacidades de detecção e defesa".
Aviões de combate também bombardearam um complexo petroquímico em Mahshar, cidade portuária no sudoeste do Irã. Israel não forneceu outros detalhes sobre os danos. De acordo com informação obtida pela RFI, a avaliação de autoridades israelenses é de que os confrontos com o Irã devem se estender "por mais alguns dias".
A ofensiva ocorre após a conversa neste domingo, 7, entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Trump pediu que Israel evitasse novos ataques.
A nova escalada de violência entre Israel e Irã acontece após Teerã ter prometido agir em caso de ataques israelenses ao distrito de Dahieh, reduto do Hezbollah ao sul de Beirute. No domingo, as forças israelenses bombardearam dois apartamentos no local, considerado quartel-general do Hezbollah.
Em represália à operação israelense, a Guarda Revolucionária iraniana diz ter atingido as bases aéreas de Nevatim e Tel Nof, em Israel. Esta é a primeira ofensiva contra um site energético no Irã desde o cessar-fogo de 8 de abril.
O Exército israelense afirmou ter identificado mísseis lançados do Irã, interceptados pelos sistemas de defesa do país. Horas antes, a agência Fars relatou explosões em Teerã e nas cidades de Tabriz, no noroeste, e Isfahan, no centro. O Exército de Israel afirmou que sua aviação bombardeou "alvos militares pertencentes ao regime iraniano" nessas regiões.
O Irã também ativou os sistemas de defesa aérea para interceptar um míssil vindo do Iêmen. Apesar dos ataques, o Irã afirmou na segunda-feira que os esforços de mediação do Paquistão para pôr fim à guerra com os Estados Unidos continuam.
"As consultas diplomáticas prosseguem independentemente das circunstâncias", declarou o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaïl Baghaï, acrescentando que "a República Islâmica tem demonstrado uma contenção extraordinária" desde as violações do cessar-fogo de 8 de abril.
Houthis proíbem navegação no mar Vermelho
Os rebeldes houthis do Iêmen, aliados do Irã, reivindicaram nesta segunda-feira um ataque com mísseis contra Israel e decretaram a proibição da navegação israelense no mar Vermelho.
"As forças armadas iemenitas lançaram uma salva de mísseis visando alvos sensíveis do inimigo israelense", afirmou em comunicado o porta-voz militar dos rebeldes, Yahya Saree, anunciando também "uma proibição total da navegação israelense no mar Vermelho".
"Qualquer movimento inimigo será considerado um alvo militar legítimo", e "responderemos à escalada com escalada", acrescentou. Os rebeldes, que controlam amplas áreas do Iêmen, entraram na guerra no Oriente Médio em 28 de março para apoiar Teerã. Eles já haviam lançado vários mísseis contra Israel no fim de março e início de abril, antes do cessar-fogo.
Os houthis também realizaram vários ataques contra navios no mar Vermelho durante a guerra entre Israel e o grupo islamista palestino Hamas, afirmando agir em solidariedade aos palestinos.
Trégua no Líbano
No Líbano, a situação também segue sem avanços. O novo acordo de trégua no país foi rejeitado pelo Hezbollah, e Israel ocupa o sul do Líbano desde o início de março para "neutralizar" o grupo, aliado do Irã. Teerã prometeu responder aos ataques israelenses contra Beirute.
Israel reiterou no fim da semana passada que não retirará suas tropas do Líbano, que invadiu em 2 de março no âmbito de uma ampla campanha militar terrestre e aérea. Milhares de libaneses foram mortos e mais de 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas. Quatro civis israelenses foram mortos em ataques do Hezbollah desde então.
A ofensiva do fim de semana e desta segunda-feira fragiliza ainda mais as negociações entre os Estados Unidos e o Irã, enquanto Teerã exige o fim das hostilidades em todas as frentes como condição prévia para qualquer acordo.
RFI com agências