Israel acusou o Hezbollah de violar a trégua mediada pelos EUA e justificou novos bombardeios no sul do Líbano, que deixaram ao menos 11 mortos, incluindo socorristas em Kfar Remmane. Tel Aviv alegou responder ao uso de drones e à presença militar do grupo em áreas civis, além de ter assumido o controle estratégico de Ali Taher. A escalada destruiu edifícios, gerou nova onda de deslocados e levou o presidente libanês a pedir a intervenção dos EUA para conter os ataques israelenses.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel, o grupo realiza ataques repetidos com drones, mantém depósitos de armas, infraestruturas terroristas e centros de comando instalados em áreas civis. Essas ações violam as regras estabelecidas no compromisso estabelecido em 3 de junho e mediado pelos Estados Unidos.
O Hezbollah continua tentando reconstruir suas capacidades militares no sul do Líbano. Essas violações não serão toleradas, escreveu o ministério israelense em mensagem publicada no X.
O Exército israelense intensificou os ataques na região desde que anunciou, na quinta-feira (4), ter assumido o controle do ponto mais elevado de Ali Taher, posição estratégica do Hezbollah apoiado pelo Irã. Nove pessoas morreram em um bombardeio que destruiu um prédio residencial em Kfar Remmane. Outras dois socorristas morreram dentro de um veículo atingido na mesma cidade, segundo a ANI.
Um edifício de três andares foi completamente destruído, com livros escolares e restos de móveis espalhados entre os escombros. Na manhã desta segunda-feira, equipes de resgate ainda vasculhavam os destroços em busca de possíveis vítimas.
Os moradores de Kfar Remmane haviam retornado às suas casas após a trégua de junho, depois de terem sido deslocados pela guerra entre Israel e o Hezbollah. Após o ataque, moradores da região voltaram a deixar suas casas. O bombardeio ocorreu sem aviso prévio do Exército israelense, ao contrário do que aconteceu na aldeia vizinha de Deir Zahrani, que também foi alvo de ataques durante a noite.
Instalação do Hezbollah
Durante a madrugada, o Exército israelense ordenou aos moradores de Deir Zahrani que evacuassem a área antes de um ataque contra o que descreveu como uma instalação do Hezbollah. Após o "lançamento de um drone explosivo" pelo grupo pró-Irã em direção às forças israelenses, os militares divulgaram um aviso em árabe no Telegram informando que atingiriam uma instalação do Hezbollah.
Segundo a ANI, cerca de 22 minutos após o alerta, a Força Aérea israelense destruiu o prédio. Israel havia intensificado seus ataques nos últimos dias. Na sexta-feira (4), quatro pessoas morreram e, no domingo (6), outras sete foram mortas em bombardeios contra várias localidades do sul do Líbano. O Exército israelense afirma que os ataques são uma resposta ao lançamento de dois drones do Hezbollah contra seus soldados.
O grupo libanês envolveu o país no conflito regional ao iniciar, em março, ataques contra Israel em apoio ao Irã, seu aliado. As represálias israelenses já provocaram mais de 4.300 mortes, segundo as autoridades libanesas.
Embora os confrontos tenham diminuído desde junho, após a assinatura de um protocolo de entendimento entre Estados Unidos e Irã e de um acordo entre Líbano e Israel, o Exército israelense continua realizando ataques esporádicos no sul do país, onde ocupa uma faixa de cerca de dez quilômetros ao longo da fronteira.
Presidente do Líbano pede apoio aos EUA
Na quinta-feira, Israel anunciou ter assumido o controle da cadeia montanhosa de Ali Taher, que domina a região de Nabatiyé, alegando que o Hezbollah havia construído uma rede subterrânea de túneis no local. O grupo não confirmou a informação.
Após os ataques de domingo, o presidente libanês, Joseph Aoun, pediu aos Estados Unidos e à comunidade internacional que atuem para "fazer cessar" os bombardeios israelenses, denunciando uma "escalada perigosa". Novas negociações entre autoridades libanesas e israelenses são esperadas para este mês, embora nenhuma data tenha sido anunciada.
Com AFP