O Irã lançou mísseis contra alvos militares dos EUA na Jordânia em retaliação a um ataque americano prévio na Ilha de Larak, que visava impedir o lançamento de minas no Estreito de Ormuz. Quase todos os projéteis iranianos foram interceptados sem danos graves relatados. Enquanto Teerã acusa agressão territorial e promete respostas firmes a novos ataques, o presidente Donald Trump afirmou que os EUA reagirão com força, elevando a tensão no Oriente Médio após o confronto direto.
O Irã anunciou uma retaliação contra alvos militares norte-americanos na Jordânia, após os Estados Unidos atacarem dois lançadores de foguetes iranianos na Ilha de Larak, no sul do país.
A ação representa a primeira escalada direta entre os dois lados em mais de um mês.
Segundo uma fonte oficial, os ataques dos EUA ocorreram depois que forças iranianas foram observadas se preparando para lançar foguetes carregados com minas navais em direção ao Estreito de Ormuz. A informação foi divulgada inicialmente pelo site Axios.
Em resposta, o Irã lançou mísseis contra alvos na Jordânia, incluindo a região de Aqaba e a base de Muwaffaq Salti, onde estão alojadas forças americanas, segundo fontes árabes citadas pela agência iraniana Fars.
Um oficial americano ouvido pela Fox News confirmou a ofensiva iraniana. De acordo com a fonte, quase todos os mísseis que se aproximavam foram interceptados e, até o momento, não havia relatos de impactos significativos.
Por sua vez, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que os Estados Unidos serão "punidos" pelo ataque à Ilha de Larak, que teria deixado dois mortos e outros dois feridos entre combatentes e civis.
"O ataque dos EUA é uma agressão militar contra o nosso país e, naturalmente, qualquer ataque à nossa integridade territorial, em qualquer nível, será respondido com uma resposta decisiva das forças armadas iranianas", afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi.
O dirigente também defendeu a retirada de forças estrangeiras da região e afirmou que os países envolvidos deveriam aprender uma "lição importante" para não repetir ações contra o Irã.
Washington ressaltou que a ofensiva contra os lançadores iranianos tinha como objetivo impedir uma possível operação de instalação de minas navais no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo.
Uma fonte militar iraniana, porém, contestou a versão americana.
Em declaração à Tasnim, ela declarou que a justificativa de que os Estados Unidos impediram o Irã de instalar minas seria "pura fantasia e pura ficção".
Segundo o relato, o confronto não estaria relacionado à instalação de minas. O militar também questionou a versão americana sobre a neutralização de equipamentos iranianos e afirmou que navios teriam sido atingidos por projéteis iranianos.
No Bahrein, explosões controladas puderam ser ouvidas ao meio-dia, no horário local, na região de Soffeh e áreas próximas.
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã também afirmou que um "superpetroleiro" pegou fogo após atingir duas minas marítimas e declarou que a embarcação havia violado normas.
Em meio à escalada de tensão, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que o país não deseja um conflito, mas que responderá a qualquer agressão.
"Não buscamos a guerra, e essa é a mensagem clara que enviamos ao mundo até agora. Mas jamais permaneceremos calmos diante de qualquer agressão e daremos uma resposta decisiva aos agressores", declarou, segundo a agência estatal IRNA.
Pezeshkian acrescentou que a instabilidade no Oriente Médio não interessa a nenhum país e representa um desafio para toda a região.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, também aproveitou o momento para ampliar as críticas a Israel.
Em uma publicação na rede social X, ele chamou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de "cobra" e acusou o líder de ter contribuído para o envolvimento dos Estados Unidos no conflito com Teerã.
Araghchi afirmou que Netanyahu teria influenciado a opinião pública e o governo americano para apoiar uma guerra contra Teerã em defesa dos interesses de Israel.
Os Emirados Árabes Unidos também denunciaram uma ação iraniana, destacando que um drone foi interceptado por sistemas de defesa aérea sobre suas águas territoriais e classificando o episódio como uma "escalada perigosa". Além disso, declarou que reserva seu "direito pleno e legítimo de responder".
Por outro lado, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que seu país responderá ao ataque do Irã: "Vamos atingi-los com força", ressaltou em entrevista à Fox News.