Imigrantes não bastam, e Itália pode perder mais de 20% de sua população até 2080

Relatório projetou uma redução de mais de 13 milhões de habitantes em 55 anos

31 ago 2026 - 09h54
(atualizado às 10h05)
Resumo
Segundo o Istat, a Itália pode perder 13,1 milhões de habitantes (22% de sua população) até 2080, caindo para 45,8 milhões. O declínio é impulsionado por recordes negativos na natalidade e pelo acelerado envelhecimento, com a idade média chegando a 51 anos em 2050, quando idosos serão 34,5% do país. Mesmo com saldo migratório positivo, o fluxo de imigrantes não será suficiente para compensar a disparidade entre nascimentos e óbitos.

A Itália, que enfrenta um cenário de declínio demográfico devido à queda contínua na taxa de natalidade, pode perder mais de 13 milhões de habitantes até 2080, o que representa 22% de sua população atual.

Casal caminha em rua vazia no centro de Roma durante lockdown pela pandemia de Covid, em 2021
Casal caminha em rua vazia no centro de Roma durante lockdown pela pandemia de Covid, em 2021
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A previsão está em um relatório divulgado nesta segunda-feira (31) pelo Instituto Nacional de Estatística (Istat), que diz que o país somava 58,9 milhões de moradores em 1º de janeiro de 2025.

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De acordo com o estudo, essa cifra deve cair para 55 milhões em 2050 e para 45,8 milhões em 2080, uma redução de 13,1 milhões de habitantes em 55 anos.

Além disso, segundo o Istat, o número de casais com filhos deve passar dos atuais 7,5 milhões, ou 28,1% do total das famílias no país, para 5,8 milhões em 2050, quando representarão 21,1%. Já os casais sem filhos aumentarão de 5,4 milhões (20,22%) para 5,9 milhões (21,24%) no mesmo período.

O estudo também aponta que a idade média da população italiana aumentará de 46,9 anos em 2025 para 48 em 2030 e 51 em 2050, quando os maiores de 65 anos serão 34,5% dos habitantes do "Belpaese" ? hoje essa faixa etária corresponde a 24,7% do total.

O relatório ainda prevê que os imigrantes, grupo que vem evitando uma queda populacional mais acentuada nos últimos anos, não devem ser suficientes para conter o "inverno demográfico".

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De acordo com o Istat, o número de estrangeiros que entram na Itália deve cair de 432 mil em 2025 para 423 mil em 2030 e 372 mil em 2050, para depois voltar a subir para 404 mil em 2080.

Enquanto isso, a emigração de italianos ao exterior, que englobou 144 mil pessoas no ano passado, deve passar para 176 mil em 2030, 169 mil em 2050 e 183 mil em 2080. Com isso, o saldo migratório deve se manter positivo, com 247 mil em 2030, 204 mil em 2050 e 221 mil em 2080.

Ainda assim, a contribuição migratória não compensará o saldo demográfico natural, ou seja, a diferença entre nascimentos e óbitos, que foi de -296 mil em 2025 e passará para -353 mil em 2030, até atingir o pico de -570 mil em 2059. Esse dado deve ficar negativo durante todo o período analisado, segundo o Istat.

Em 2025, a Itália registrou o menor número de nascimentos de sua história, com 355 mil, e a tendência deve continuar, com previsão de 335 mil em 2050 e 281 mil em 2080. 

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