O embaixador do Irã na Santa Sé, Mohammad Hossein Mokhtari, pediu em carta que o papa interceda junto aos Estados Unidos para revogar sanções ao setor aéreo do país. O diplomata classificou as medidas como desumanas, destacando prejuízos a tratamentos médicos, famílias e estudantes. As restrições da Casa Branca, impostas em setembro a prestadores de serviços da aviação iraniana, visam sufocar a economia de Teerã e forçar um acordo para encerrar os conflitos no Oriente Médio.
O embaixador do Irã junto à Santa Sé, Mohammad Hossein Mokhtari, enviou uma carta ao papa Leão XIV pedindo que o pontífice interceda junto ao governo dos Estados Unidos para derrubar as restrições ao tráfego aéreo impostas por Washington.
Segundo o diplomata, as medidas são "injustas e desumanas" e violam direitos fundamentais. Na carta, Mokhtari solicitou que o Papa "peça de modo explícito e firme" à Casa Branca que evite a "violação de direitos fundamentais por meio da imposição de restrições injustas e desumanas ao tráfego aéreo".
O embaixador argumenta que, sem voos, há pessoas que não conseguem receber tratamento médico, famílias que não podem se reunir e estudantes que não conseguem concluir seus cursos. "É preciso pedir ao governo dos Estados Unidos, que se esquiva de suas responsabilidades e viola a lei, que avalie seriamente, antes de adotar restrições de amplo alcance, suas consequências humanas", escreveu o diplomata.
Mokhtari também disse ao pontífice que líderes religiosos devem unir suas vozes em torno de "um princípio comum: seres humanos inocentes e povos oprimidos têm de ser defendidos".
Em setembro passado, os EUA anunciaram sanções secundárias a prestadores de serviços aéreos que mantinham relações com empresas do setor de aviação no Irã, inviabilizando, na prática, a operação de companhias do país persa.
A medida faz parte das tentativas de Washington de sufocar economicamente o regime iraniano e forçá-lo a aceitar um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio.