As imagens divulgadas pela televisão iraniana durante a tarde mostraram manifestantes nas ruas de Teerã segurando retratos de comandantes mortos desde o início da guerra com Israel, enquanto outros agitavam bandeiras do Hezbollah iraniano e libanês. De acordo com a imprensa local, outras manifestações ocorreram em várias cidades do país, incluindo Tabriz, no noroeste do Irã, e Shiraz, no sul. Os protestos acontecem no momento em que ministros das Relações Exteriores das potências europeias estavam reunidos em Genebra com representantes de Teerã em busca de uma saída diplomática para a guerra entre Israel e a República Islâmica, à qual o governo dos Estados Unidos cogita se juntar. Os ministros da Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, da França, Jean-Noël Barrot, e do Reino Unido, David Lammy, bem como a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, pediram ao Irã que negocie "sem esperar que os ataques israelenses parem". Durante a reunião com o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, os representantes de Berlim, Paris e Londres também insistiram para que Teerã "continue suas discussões com Washington" sobre seu programa nuclear, segundo informou Jean-Noël Barrot. No entanto, o Irã está pronto para "considerar" um retorno à diplomacia apenas "uma vez que a agressão israelense" tenha sido "interrompida", respondeu o chanceler iraniano. "Somos a favor da continuidade das discussões com o E3 (Alemanha, França e Reino Unido) e com a União Europeia", disse Abbas Araghchi a jornalistas após sua reunião de Genebra. Europeus otimistas "O resultado positivo de hoje é que estamos saindo da sala com a sensação de que o Irã está fundamentalmente pronto para continuar a discutir todas as questões que são importantes para nós, europeus", disse o ministro alemão Johann Wadephul. Por sua vez, o ministro britânico das Relações Exteriores, David Lammy, declarou que os europeus estavam "interessados em continuar as discussões e negociações em andamento com o Irã". Já o ministro das Relações Exteriores da França disse que não poderia haver "nenhuma solução militar definitiva para a questão nuclear iraniana". Os Estados Unidos e o Irã haviam iniciado várias rodadas de negociações, que foram brutalmente interrompidas em 13 de junho, quando Israel lançou um ataque aéreo maciço contra o território iraniano, tendo como alvo seu programa nuclear. A ofensiva provocou uma resposta imediata de Teerã. Desde então, houve uma sucessão de ataques israelenses contra o Irã e lançamentos de mísseis iranianos contra o território israelense. Nesse oitavo dia de guerra, as sirenes de alerta foram acionadas no sul de Israel após novos disparos de mísseis iranianos. Por sua vez, o Exército israelense anunciou que bombardeou dezenas de alvos em Teerã. Israel, potência atômica não oficial, alega que o Irã está prestes a conseguir uma arma nuclear, uma acusação negada pelos iranianos. (Com agências)
Irã pede fim de ataques israelenses antes de qualquer negociação diplomática
Milhares de pessoas manifestaram contra Israel em Teerã nesta sexta-feira (20), segundo imagens divulgadas pela televisão local. Os protestos acontecem em momento em que representantes da comunidade internacional tentam encontrar uma solução para a crise durante cúpula em Genebra. Chanceler iraniano pede uma interrupção imediata dos ataques antes de qualquer tipo de negociação.
20 jun
2025
- 16h04
Exibir comentários