Uma forte explosão foi registrada em Tel Aviv, segundo relatos de jornalistas da AFP. Teerã anunciou, por meio de sua televisão estatal, o lançamento de uma "nova onda de mísseis" contra seu inimigo durante a madrugada, enquanto a tensão na região atingia níveis críticos.
O conflito, que já deixou milhares de mortos e deslocados, ganhou novos contornos após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar na segunda-feira (23) um adiamento de cinco dias em possíveis ataques às infraestruturas energéticas iranianas. A decisão, divulgada em um momento de alta volatilidade nos mercados financeiros, ocorreu após Trump afirmar que Washington mantinha "conversas muito boas e produtivas" para encerrar a guerra.
Na pista do aerporto de Palm Beach (Flórida), o presidente declarou que seu genro, Jared Kushner, e seu enviado especial, Steve Witkoff, estavam conduzindo as negociações com o Irã
"Tivemos discussões muito, muito sólidas. Veremos aonde isso nos levará. Temos vários pontos de acordo", disse Trump.
No entanto, o Irã negou veementemente qualquer diálogo com os EUA. O porta-voz do ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, afirmou que mensagens de "países amigos" haviam sido recebidas com pedidos americanos para negociações, mas garantiu que nenhuma conversa direta ocorreu.
Já o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, classificou as declarações de Trump como uma tentativa de "manipular os mercados financeiros e petrolíferos".
No entanto, a informação de que um processo de diálogo está em curso foi confirmada por fontes americanas e iranianas ao The New York Times. De acordo com o jornal, o interlocutor é Abbas Araghchi, Ministro das Relações Exteriores do Irã. Steve Witkoff, enviado da Casa Branca, teria entrado em contato direto com ele nos últimos dias.
Mas, por ora, as discussões estariam em um estágio muito menos avançado do que vem divulgando publicamente Donald Trump. De acordo com o The New York Times o Irã não quer um cessar fogo temporario e exige uma paz durável ou a garantia de que Israel e Estados Unidos nao retomarãoo seus bombardeios, uma vez as hostilidades suspensas. Enquanto isso Teerã ameaça manter a pressão no Estreito de Ormuz.
Possibilidade de trégua alivia mercados
A possibilidade de uma trégua temporária trouxe alívio aos mercados globais. Após uma queda de mais de 10% no preço do petróleo na segunda-feira, o barril do Brent, referência mundial, registrou alta de 3,96% na manhã desta terça, cotado a US$ 103,90. O petróleo americano WTI também subiu 3,86%, alcançando US$ 91,53. As bolsas asiáticas acompanharam o movimento: o índice Nikkei, de Tóquio, avançou 0,77%, enquanto o Kospi, de Seul, subiu 1,94%.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pediu o fim das hostilidades durante visita à Austrália, alertando para os impactos econômicos globais, especialmente nos preços do gás e do petróleo.
A situação no Golfo Pérsico segue tensa. A Arábia Saudita anunciou ter destruído ao menos 20 drones em seu território na manhã desta terça, enquanto o Kuwait informou estar respondendo a "ameaças de drones e mísseis hostis". O ministro de Energia do Irã, Abbas Aliabadi, havia declarado em entrevista à televisão estatal que o país estava menos vulnerável a ataques em sua infraestrutura energética do que seus vizinhos do Golfo ou Israel.
Segundo ele, o Irã possui mais de 150 usinas espalhadas pelo território, ao contrário de países como Arábia Saudita e Israel, onde a produção é centralizada e, portanto, mais exposta a ataques. As declarações ocorreram dias após Trump ameaçar atingir instalações energéticas iranianas caso o Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial, não fosse reaberto.
Israel intensifica ataques no sul de Beirute
No Líbano, os bombardeios israelenses contra alvos do Hezbollah na periferia sul de Beirute se intensificaram. Na segunda à noite, imagens da AFPTV mostraram grossas colunas de fumaça sobre a região, que não era atingida desde sexta-feira. Uma pessoa morreu em um ataque israelense a um apartamento em Hazmieh, nos arredores da capital libanesa, onde, segundo Israel, estaria um membro da Guarda Revolucionária iraniana.
O exército israelense também anunciou a captura de dois combatentes de elite do Hezbollah no sul do Líbano, acusados de planejar um ataque com mísseis antitanque contra suas tropas.
Enquanto isso, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou ter conversado com Trump e reiterou que seu país continuaria atacando o Irã e o Líbano para "proteger seus interesses vitais". Netanyahu reconheceu que os EUA acreditam ser possível alcançar os objetivos da guerra por meio de um acordo, mas deixou claro que as operações militares não seriam interrompidas.
O premiê paquistanês, Shehbaz Sharif, por sua vez, prometeu apoio a Teerã para mediar a paz na região após conversa com o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian.
Conflitos se alastram pelo Oriente Médio
A guerra também se estendeu para outros países da região. No Iraque, uma suposta ação americana matou sete combatentes do grupo paramilitar Hachd al-Chaabi, incluindo um alto comandante, em uma base na província de Al-Anbar. Treze pessoas ficaram feridas, e outras ainda estariam presas sob os escombros.
Na Síria, uma base militar na província de Hassaké foi alvo de mísseis disparados do Iraque, segundo o Exército sírio, que acusou uma facção pró-Irã pelo ataque. A base havia sido recentemente abandonada por forças americanas da coalizão antijihadista.
O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, alertou que a prolongação do conflito poderia desencadear uma crise petrolífera sem precedentes, superando os choques dos anos 1970 e a invasão da Ucrânia pela Rússia. "A economia mundial enfrenta uma ameaça muito, muito grave", declarou.
Diante das ameaças de Trump, o Irã prometeu fechar completamente o Estreito de Ormuz e atacar infraestruturas americanas, incluindo usinas de dessalinização e tecnologia da informação, caso os EUA cumprissem suas advertências. Meios de comunicação iranianos chegaram a divulgar uma lista de possíveis alvos em Israel, como as usinas elétricas Orot Rabin e Rutenberg.
Com agências