Irã fecha Ormuz e EUA pedem que navios evitem o Golfo, deixando mercado do petróleo em alerta

O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio global de petróleo, tornou-se "perigoso" e foi "de fato fechado" na noite de sábado (28), segundo a Guarda Revolucionária Iraniana, conforme relatado por um veículo de imprensa local. Paralelamente, o Departamento de Transportes dos Estados Unidos orienta navios comerciais a "ficarem longe" do Golfo devido à "significativa atividade militar".

28 fev 2026 - 15h27
(atualizado às 15h33)

O Irã, um dos principais produtores de petróleo da OPEP, enfrenta sanções ocidentais que dificultam suas exportações. Ainda assim, Teerã poderia influenciar o preço do barril ao interromper o tráfego marítimo.

Petroleiros no Estreito de Ormuz, 21 de dezembro de 2018, região por onde passa um terço do petróleo transportado por via marítima no mundo (imagem de ilustração).
Petroleiros no Estreito de Ormuz, 21 de dezembro de 2018, região por onde passa um terço do petróleo transportado por via marítima no mundo (imagem de ilustração).
Foto: REUTERS/Hamad I Mohammed / RFI

Segundo Olivier Appert, consultor de energia do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri), "o Irã poderia muito bem bloquear o Estreito de Ormuz, por onde transitam 20% da produção mundial de petróleo e 25% da produção mundial de gás natural liquefeito".

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"O país também poderia atacar instalações de petróleo e gás em nações vizinhas, particularmente no Bahrein e na Arábia Saudita, e até mesmo no Catar", afirma o especialista. 

Para Teerã, aumentar os preços do petróleo também seria uma forma de pressionar Washington. Nos Estados Unidos, as eleições de meio de mandato ocorrerão no final do ano, e Donald Trump prometeu a seus eleitores preços baixos de energia.

Possível "aumento de preços" no horizonte

Como consequência, o preço do barril de petróleo pode subir, afetando os motoristas — especialmente na Europa.

"O preço atual nos postos reflete o valor dos suprimentos de dois a três meses atrás. Dito isso, é provável que vejamos um aumento nos preços dos combustíveis nas próximas semanas", explica Appert. A situação também pode enfraquecer a economia chinesa, que importa quase dois milhões de barris de petróleo iraniano por dia.

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Uma reunião entre oito membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (OPEP+) está agendada para este domingo, enquanto o mercado de petróleo abrirá na manhã de segunda-feira.

Por enquanto, o Departamento de Transportes dos EUA recomenda que embarcações comerciais "mantenham distância" do Golfo devido à "significativa atividade militar" após os ataques de sábado, segundo a AFP.

Em comunicado publicado em seu site, o órgão também solicita que todas as embarcações comerciais operando nos Estados Unidos mantenham uma distância de 30 milhas náuticas de navios militares norte‑americanos, a fim de reduzir o risco de serem percebidas como ameaça.

Navios de EUA ou Israel devem redobrar atenção

Além do Golfo, o Estreito de Ormuz, o Golfo de Omã e o Mar Arábico também são mencionados nos alertas. Mais cedo, um representante de uma das principais associações de armadores do mundo (BIMCO) advertiu que "navios com ligações comerciais a interesses americanos ou israelenses têm maior probabilidade de serem alvo".

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Por fim, a Força Naval da União Europeia na região confirmou que a Guarda Revolucionária está alertando embarcações sobre o fechamento do Estreito de Ormuz.

RFI e AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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