'A situação é de muita apreensão', relata brasileira em Dubai após bombardeios do Irã

Uma série de ataques iranianos, em retaliação aos bombardeios americanos e israelenses deste sábado (28), deixou os habitantes do Golfo em choque e abalou a imagem cuidadosamente cultivada de estabilidade dessas monarquias petrolíferas. A advogada brasileira Tatiana Metran, que mora em Dubai, relata os momentos de apreensão vividos por ela e pela família.

28 fev 2026 - 17h15
(atualizado às 17h27)

No céu claro do deserto, mísseis riscaram o horizonte em direção às bases americanas em Manama, no Bahrein, e em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Um ciclista observa um projétil cair sobre Dubai em 28 de fevereiro de 2026. As explosões ocorreram na sequência de ataques generalizados do Irã no Golfo, em retaliação aos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã.
Um ciclista observa um projétil cair sobre Dubai em 28 de fevereiro de 2026. As explosões ocorreram na sequência de ataques generalizados do Irã no Golfo, em retaliação aos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã.
Foto: AFP - - / RFI

As explosões reverberaram por toda a região, fazendo tremer as janelas dos arranha-céus de Dubai e gerando confusão entre a população. Segundo as autoridades locais, quatro pessoas ficaram feridas. 

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Algumas explosões ocorreram em uma área próxima à casa da advogada Tatiana Metran. "Foram quatro bombardeios: dois à tarde e dois à noite. Um, às sete horas, foi bem forte, próximo de casa", relata a brasileira, que chegou a filmar o míssil no céu.

"A situação é de muita apreensão. O espaço aéreo está fechado", disse ela à RFI. "Precisamos esperar para entender o que vai acontecer. Tanto o consulado do Brasil quanto o da França estão dando apoio e nos mantendo informados. Isso é importante: ter informações de fontes oficiais", completou.

Informações oficiais 

"O que tem funcionado muito são os grupos de WhatsApp também. É por ali que a gente se informa, mas todos os grupos dos quais faço parte estão sendo muito cautelosos e pedindo calma, para que só transmitamos informações checadas ou vindas de fontes oficiais", ressalta.

A advogada, que mora nos Emirados Árabes há dois anos e meio com o marido e as duas filhas, diz que está conversando com elas sobre o tema. "Mas elas recebem informações dos grupos da escola, e estamos atentos para saber que tipo de conteúdo elas estão recebendo", afirma.

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"Estou com a família do meu marido aqui em casa, e meu sobrinho mais novo disse uma frase que me cortou o coração: 'Tia Tati, os bombardeios já pararam, a gente pode brincar lá fora?'", conta.

"Estamos bem — bastante preocupados e apreensivos —, mas em uma situação privilegiada, porque temos um teto sobre nossas cabeças", pondera a advogada. "A esperança é que tudo isso acabe rapidamente e que vidas sejam poupadas."

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