Irã exigiu fim da guerra e desbloqueio de ativos em proposta julgada 'inaceitável' por Trump

Em resposta à proposta dos EUA, o Irã pediu o fim da guerra em toda a região, inclusive no Líbano, além do desbloqueio dos ativos iranianos congelados, informou nesta segunda-feira (11) o Ministério das Relações Exteriores.

11 mai 2026 - 07h57

"A única coisa que exigimos foram os direitos legítimos do Irã", declarou o porta-voz do ministério, Esmaïl Baghai, durante a coletiva semanal. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou a proposta iraniana "totalmente inaceitável".

Teerã reivindica, em particular, "o fim da guerra na região", o fim do bloqueio americano aos portos iranianos e "a liberação dos ativos pertencentes ao povo iraniano, que estão injustamente bloqueados há anos", acrescentou. O Irã denunciou "exigências excessivas" dos EUA, equivalentes a uma capitulação, segundo a imprensa oficial iraniana.

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Segundo o Wall Street Journal, o Irã cita em sua proposta negociações sobre o programa nuclear em um prazo de 30 dias. O país está disposto a diluir parte de seu urânio enriquecido e a transferir o restante para um "país terceiro", mas recusa o desmantelamento de seus equipamentos e uma moratória de 20 anos sobre seu processo de enriquecimento de urânio.

Trump afirmou em sua rede social Truth Social que tomou conhecimento da resposta dos "chamados representantes do Irã". "Não gostei — totalmente inaceitável", escreveu o presidente americano. A proposta é "legítima e generosa", reagiu Esmail Baghai, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã.

De acordo com a imprensa oficial iraniana, a resposta de Teerã trata da segurança da navegação no Estreito de Ormuz e exige o fim do conflito, especialmente no Líbano, onde Israel mantém sua campanha militar apesar de uma trégua separada anunciada em 16 de abril, alegando querer neutralizar o Hezbollah, aliado do Irã.

Mais de 2.700 pessoas, incluindo crianças, socorristas e jornalistas, foram mortas pelo Exército israelense no Líbano desde 2 de março. As esperanças de uma solução para o conflito em um futuro próximo parecem pequenas. Apenas uma rodada de negociações foi realizada, em 11 de abril, em Islamabad, por meio da mediação do Paquistão.

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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou no domingo que a guerra contra o Irã não terminou, citando a necessidade de retirar de Teerã seus estoques de urânio enriquecido e de privar as milícias aliadas ao Irã de capacidades militares.

O presidente francês, Emmanuel Macron, conversa com o primeiro‑ministro britânico, Keir Starmer, no pátio do Palácio do Eliseu, em Paris, em 17 de abril de 2026, durante reunião de aliados que discutiu o envio de uma força multinacional para garantir a segurança e a livre navegação no estreito de Ormuz.
O presidente francês, Emmanuel Macron, conversa com o primeiro‑ministro britânico, Keir Starmer, no pátio do Palácio do Eliseu, em Paris, em 17 de abril de 2026, durante reunião de aliados que discutiu o envio de uma força multinacional para garantir a segurança e a livre navegação no estreito de Ormuz.
Foto: RFI

França se reúne com Reino Unido

Os ministros da Defesa do Reino Unido e da França vão copresidir, na terça-feira, uma reunião por videoconferência com seus homólogos de países dispostos a contribuir para uma missão de segurança no Estreito de Ormuz, com o objetivo de discutir as contribuições militares de cada um, anunciou Londres no domingo.

Teerã advertiu no mesmo dia que haverá uma "resposta decisiva e imediata" das Forças Armadas em caso de envio de forças francesas e britânicas ao Estreito de Ormuz, após o anúncio de Paris e Londres sobre o deslocamento de navios militares à região.

O presidente francês Emmanuel Macron, porém, afirmou na noite de domingo que a França "jamais considerou" um "envio" ao estreito. Cerca de 40 países envolvidos devem aproveitar a reunião de terça-feira para discutir e definir suas contribuições militares para a missão defensiva destinada a reabrir e garantir a segurança do Estreito de Ormuz quando as condições permitirem, informou o Ministério da Defesa britânico em comunicado.

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Em meados de abril, vários países envolvidos indiretamente no conflito disseram estar dispostos a estabelecer uma "missão neutra" para garantir a segurança da passagem, durante uma conferência copresidida em Paris pelo presidente francês Emmanuel Macron e pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.

O objetivo é "acompanhar e proteger os navios mercantes que transitarem pelo golfo", declarou Macron, enquanto Starmer mencionou uma força "pacífica e defensiva". Os Estados Unidos e o Irã, partes envolvidas diretamente no conflito, não participaram dessas negociações.

Londres já anunciou o pré-posicionamento no Oriente Médio, sem mais detalhes, de um destróier, o HMS Dragon, até então estacionado no Mediterrâneo oriental. Paris, por sua vez, anunciou em 6 de maio o envio ao golfo do porta-aviões Charles de Gaulle.

Pedido na ONU

Durante a reunião de terça-feira, "nosso papel será garantir que não fiquemos apenas nas palavras, mas que estejamos prontos para agir", afirmou o ministro britânico da Defesa, John Healey, que copresidirá o encontro com a ministra francesa Catherine Vautrin.

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O bloqueio do Estreito de Ormuz por Teerã, estratégico para o transporte marítimo, especialmente de hidrocarbonetos, abalou a economia mundial, e cerca de 1.500 navios e 20 mil tripulantes estão retidos na região.

O Estreito tornou-se um dos principais focos de tensão entre Estados Unidos e Irã, e confrontos esporádicos ocorrem ali apesar do cessar-fogo em vigor desde 8 de abril entre os dois países.

Washington mantém, por sua vez, um bloqueio aos portos iranianos desde 13 de abril, enquanto as negociações seguem sem avanço.No domingo, um navio de transporte foi atingido ao largo da costa do Catar. O Irã afirmou que a embarcação "ostentava bandeira americana e pertencia aos Estados Unidos", sem reivindicar explicitamente o ataque.

Estados Unidos e países do Golfo pediram na quinta-feira ao Conselho de Segurança da ONU que exija que o Irã pare de "impedir" a navegação no estreito. Um projeto de resolução nesse sentido foi apresentado por Washington e Bahrein, mas a Rússia, aliada de Teerã, indicou que está pronta para bloquear o texto.

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Com agências

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