Irã e EUA: delegação americana viajará 'em breve' ao Paquistão e trégua não será prolongada, diz Trump

Uma delegação americana partirá "em breve" para o Paquistão a fim de realizar novas negociações com o Irã, informou nesta segunda-feira (20) uma fonte próxima ao assunto. A dois dias da data de vencimento do cessar-fogo entre os dois países, o presidente Donald Trump disse considerar "muito improvável" prorrogar o ultimato que deu a Teerã.

20 abr 2026 - 16h08

A informação é divulgada pouco depois de o presidente americano ter afirmado ao New York Post que os negociadores dos Estados Unidos, liderados pelo vice-presidente JD Vance, já estão a caminho de Islamabad. No entanto, até o momento Teerã não se pronunciou sobre a retomada das negociações.

Donald Trump, que multiplicou na segunda-feira as entrevistas telefônicas com jornalistas, disse ainda à agência Bloomberg que é "muito improvável" que seja prorrogado o cessar-fogo previsto para durar duas semanas entre os Estados Unidos, Israel e o Irã.

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O prazo expira "na noite de quarta-feira, horário dos Estados Unidos", frisou o líder republicano. Segundo ele, se as exigências americanas não forem atendidas até lá, "muitas bombas vão explodir", afirmou ao canal PBS

Questionado sobre o que esperava de um eventual acordo com Teerã, Trump resumiu: "nenhuma arma nuclear. É muito simples". 

Irã diz não ter "qualquer plano"

O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaïl Baghaï, afirma que "neste estágio" o regime não tem "qualquer plano para o próximo ciclo de negociações". Segundo ele, "nenhuma decisão foi tomada a esse respeito".

Baghaï acrescentou que a apreensão de um cargueiro iraniano pelos Estados Unidos no Golfo de Omã, o bloqueio naval dos portos iranianos e os atrasos na implementação do cessar-fogo no Líbano constituíam "violações manifestas do cessar-fogo".

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Após uma primeira reunião em Islamabad em 11 e 12 de abril, que terminou sem acordo, as duas partes se acusaram mutuamente de violar a trégua temporária e multiplicaram as trocas de farpas nos últimos dias. Apesar da incerteza, o Paquistão reforçou a segurança, bloqueando estradas e impondo restrições ao tráfego na capital.

Ormuz, um ponto estratégico crucial

Nesta segunda‑feira, os preços do petróleo registraram forte alta após o acirramento das tensões em relação à reabertura do Estreito de Ormuz, uma via marítima estratégica para o abastecimento mundial de petróleo.

Segundo vários meios de comunicação iranianos, o fim do bloqueio naval americano constituiria para Teerã uma condição prévia para as negociações com Washington. Diante da manutenção do cerco, o Irã anunciou no sábado (18) que retomaria o controle do estreito, voltando atrás em sua decisão de reabri‑lo.

A questão se complicou ainda mais pelo anúncio, no domingo (19), da apreensão pela Marinha dos Estados Unidos do cargueiro Touska, que navegava sob bandeira iraniana. O regime islâmico promete "retaliar em breve". 

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"Provavelmente não caminhamos para um acordo", avaliou o pesquisador Pierre Razoux. "Cada um impõe um bloqueio em pontos diferentes: os iranianos na curva do estreito, os Estados Unidos no Golfo de Omã, na saída", o que, segundo o especialista dificulta o desfecho da situação. 

"Erro dos dois lados"

O presidente francês, Emmanuel Macron, denunciou nesta segunda‑feira um "erro de ambos os lados", da parte dos Estados Unidos e do Irã, em torno do Estreito de Ormuz, pedindo que "todos retomem a calma".

"É provável que, após a decisão americana de manter um bloqueio direcionado sobre Ormuz, especialmente no que dizia respeito ao Irã, as autoridades iranianas tenham mudado sua posição inicial", declarou Emmanuel Macron durante uma coletiva de imprensa em Gdansk, no norte da Polônia, onde realiza uma visita.

"Tudo isso não deve nos levar a uma escalada. Tudo isso deve, ao contrário, nos levar a consolidar o que havia sido obtido na sexta‑feira: a reabertura incondicional, sem seleção e sem pedágio do Estreito de Ormuz", destacou novamente o presidente francês. "E, portanto, é preciso continuar acalmando os ânimos. (...) Mantemos a posição de que as coisas se resolvem pela via diplomática", insistiu. 

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O presidente chinês, Xi Jinping, defendeu um posicionamento similar nesta segunda‑feira, durante uma ligação telefônica com o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman. Segundo o representante de Pequim, o Estreito de Ormuz deve "permanecer aberto", divulgou a televisão pública chinesa CCTV

"Isso é do interesse comum dos países da região e da comunidade internacional", declarou Xi. "A China defende um cessar‑fogo imediato e abrangente, apoia todos os esforços favoráveis ao restabelecimento da paz e continua comprometida com a resolução das divergências por meios políticos e diplomáticos", completou Xi.

Já a Rússia pediu nesta segunda‑feira a manutenção da pausa nas hostilidades entre os Estados Unidos e o Irã, além da continuação dos esforços diplomáticos sob mediação do Paquistão. "A parte russa voltou a destacar a necessidade de preservar a trégua, que deve ser respeitada nos parâmetros inicialmente definidos e anunciados pelos mediadores paquistaneses", declarou Moscou em comunicado, após uma conversa entre os ministros das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, e do Irã, Abbas Araghchi. 

Moscou ainda denunciou "o bloqueio naval ilegal do Estreito de Ormuz e a apreensão de um porta‑contêineres iraniano" pelos Estados Unidos. Na conversa entre os ministros "foi ressaltada a importância de prosseguir com os esforços diplomáticos para que a situação não saia de controle e não desemboque em um confronto armado", acrescenta nota divulgada pelo governo russo. 

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RFI com AFP

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