Irã declara Estreito de Ormuz 'completamente reaberto' no restante do cessar-fogo com EUA

O Estreito de Ormuz foi "declarado completamente aberto" pelo "período restante do cessar-fogo", afirmou nesta sexta-feira (17/4) o Ministro das Relações Exteriores do Irã.

17 abr 2026 - 11h19
(atualizado às 12h09)
Petroleiro no mar ao pôr do sol
Petroleiro no mar ao pôr do sol
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

O Estreito de Ormuz foi "declarado completamente aberto" pelo "período restante do cessar-fogo", afirmou nesta sexta-feira (17/4) o Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.

"Em consonância com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está declarada completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Assuntos Marítimos da República Islâmica do Irã", disse Araghchi em um comunicado divulgado pela rede social X (antigo Twitter).

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"O Irã concordou em nunca mais fechar o Estreito de Ormuz. Ele não será mais usado como arma contra o mundo!", escreveu o presidente americano Donald Trump em sua rede Truth Social, após o anúncio.

Os EUA anunciaram que iniciariam um bloqueio naval ao Estreito de Ormuz no início desta semana, depois que o Irã fechou efetivamente o canal de transporte de petróleo mais movimentado do mundo por semanas, em resposta ao ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã em fevereiro.

O cessar-fogo de duas semanas entre Irã e EUA deve expirar em 22 de abril.

Após a declaração do chanceler iraniano, o presidente americano, Donald Trump, publicou uma série de comentários no Truth Social.

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"O IRÃ ACABA DE ANUNCIAR QUE O ESTREITO DO IRÃ ESTÁ TOTALMENTE ABERTO E PRONTO PARA A PASSAGEM LIVRE. OBRIGADO!", dizia a primeira mensagem.

Minutos depois, ele voltou a publicar, desta vez afirmando que o bloqueio naval contra o Irã permanecerá em vigor, até que as negociações entre os países sejam concluídas.

"O Estreito de Ormuz está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego, mas o bloqueio naval permanecerá em pleno vigor e efeito no que diz respeito ao Irã, somente, até que nossas negociações com o Irã estejam 100% concluídas. Esse processo deverá ser bastante rápido, visto que a maioria dos pontos já foi negociada. Agradeço a sua atenção a este assunto! Presidente Donald J. Trump", escreveu o americano em sua segunda postagem.

Trump ironizou ainda uma oferta de ajuda da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, a aliança militar ocidental) para assegurar o tráfego em Ormuz.

"Agora que a situação no Estreito de Ormuz está resolvida, recebi um telefonema da Otan perguntando se precisaríamos de ajuda. Eu disse para eles ficarem longe, a menos que só queiram abastecer seus navios com petróleo", escreveu Trump.

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"Eles foram inúteis quando precisamos deles, um tigre de papel!", disse.

Ele agradeceu à Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar pela ajuda e disse que o Irã, com a ajuda dos EUA, está removendo todas as minas marítimas do estreito.

O republicano também afirmou que os EUA trabalharão com o Líbano para lidar com a "situação do Hezbollah" de maneira apropriada e que Israel não bombardeará mais o Líbano. "Eles estão PROIBIDOS de fazer isso pelos EUA. Chega!", escreveu, acrescentando que os EUA "tornarão o Líbano grande novamente", numa recriação de seu famoso slogan "tornar a América grande novamente".

Petróleo vai a menos de US$ 90

Após o anúncio, o preço do barril de petróleo do tipo Brent, referência para o mercado internacional, caiu mais de 10%, para menos de US$ 90, tendo chegado a ultrapassar os US$ 98 no início do dia.

Antes do conflito, o petróleo Brent era negociado a pouco menos de US$ 70 o barril. Chegou a ultrapassar os US$ 100 no início de março e atingiu o pico de mais de US$ 119 no final daquele mês.

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As bolsas europeias e americanas registraram alta em reação às últimas notícias, com o índice CAC em Paris e o DAX em Frankfurt subindo mais de 2%. Em Londres, a alta do FTSE foi mais modesta, de 0,5%.

Nos Estados Unidos, nos primeiros minutos de negociação, o Dow Jones subiu 1,3% e o S&P 500, 0,7%.

No Brasil, por volta das 10h50, o dólar à vista era negociado em queda de 0,52%, a R$ 4,96, depois de ter batido mais cedo na mínima de R$ 4,95, menor patamar registrado durante o dia desde março de 2024.

Na bolsa de valores, o Ibovespa subia 0,38%, mas as ações da Petrobras recuavam mais de 5% em meio à fraqueza dos preços do petróleo.

Como isso afeta o Brasil

O Brasil pode se beneficiar desse novo cenário, já que a baixa do petróleo Brent deve atingir o mercado nacional, que contava, até então, com ajuda apenas de um pacote do governo federal para segurar o encarecimento dos combustíveis no país e o impacto da alta do querosene no preço das passagens aéreas.

O diesel preocupa o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por ser o principal combustível que alimenta o transporte de mercadorias e da safra agrícola do Brasil.

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O Palácio do Planalto já havia anunciado, em 12 de março, um pacote de R$ 30 bilhões para mitigar o encarecimento do combustível.

Em 6 de abril, novas medidas foram anunciadas, incluindo a ampliação da subvenção ao diesel, a criação de um subsídio para a importação de gás de cozinha e a isenção de impostos (PIS e Cofins) sobre o biodiesel e o querosene de aviação.

Considerando os dois pacotes, o subsídio total ficou em R$ 1,52 por litro de diesel importado e R$ 1,12 para o produto nacional. Com as medidas, o governo visou conter uma aceleração da inflação em pleno ano eleitoral.

'Volta à normalidade pode demorar'

À primeira vista, a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã é uma boa notícia, mas a realidade pode ser mais complexa, avalia Jonathan Josephs, repórter de negócios da BBC.

As principais companhias de navegação têm enfatizado repetidamente que a segurança de suas tripulações e embarcações é sua principal prioridade.

"É provável que elas queiram ver uma cessação sustentada das hostilidades antes de se sentirem seguras para retornar àquela que era uma rota importante para o transporte marítimo global", observa Josephs.

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Apesar da morte de 10 marinheiros, as companhias de navegação menores têm se mostrado mais dispostas a assumir esses riscos.

"A comparação mais próxima é a situação em que os navios evitaram a rota pelo Mar Vermelho e Canal de Suez após os rebeldes houthis começarem a atacar embarcações em dezembro de 2023", lembra o jornalista.

Levou mais de dois anos para que um retorno limitado começasse, o que só aconteceu após meses sem ataques.

No entanto, existem duas diferenças fundamentais quando se trata do Estreito de Ormuz, afirma Josephs.

Primeiro, não há rota alternativa e, segundo, o transporte de grandes quantidades de petróleo e gás é vital para a economia global, o que significa que há maiores incentivos para o retorno.

O que é o Estreito de Ormuz e por que é importante?

O Estreito de Ormuz é uma rota marítima crucial por onde passam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo.

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A geografia do estreito permitiu que o Irã o utilizasse como moeda de troca durante toda a guerra, impedindo seletivamente a passagem de navios pela estreita passagem e, consequentemente, elevando os preços do petróleo.

Limitado ao norte pelo Irã e ao sul por Omã e pelos Emirados Árabes Unidos, o corredor - com apenas cerca de 50 km de largura na entrada e na saída, e cerca de 33 km em seu ponto mais estreito - conecta o Golfo Pérsico ao Mar Arábico.

Corredor marítimo conecta o Golfo Pérsico ao Mar Arábico
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

O estreito é profundo o suficiente para permitir a passagem dos maiores petroleiros do mundo e é utilizado pelos principais produtores de petróleo e GNL do Oriente Médio, bem como por seus clientes.

Em 2025, cerca de 20 milhões de barris de petróleo e derivados passaram pela passagem por dia, segundo estimativas da Administração de Informação Energética dos EUA (EIA). Isso representa quase US$ 600 bilhões (R$ 2,98 trilhões) em comércio de energia por ano.

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O petróleo não vem apenas do Irã, mas também de outros países do Golfo, como Iraque, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

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