O embaixador do Irã junto à Santa Sé, Mohammad Hossein Mokhtari, afirmou nesta segunda-feira (9) esperar que o papa Leão XIV e o Vaticano condenem o que Teerã considera uma "agressão" cometida por Israel e pelos Estados Unidos.
Em reunião com jornalistas, o diplomata disse ainda ter solicitado uma reunião com o secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, para discutir o tema.
Mokhtari afirmou que enviou nos últimos dias uma carta ao Papa e às principais autoridades da Santa Sé. "Era meu dever moral", disse, acrescentando que infelizmente não recebeu resposta oficial até o momento.
O embaixador classificou como "vagas" as posições públicas do Santo Padre sobre o conflito no Oriente Médio, embora reconheça que Leão XIV tenha feito diversos apelos pelo fim da guerra.
Segundo ele, o Papa deveria, "pelo menos, se posicionar sobre o bombardeio da escola que matou 180 crianças", mas infelizmente ele não mencionou isso em seus discursos.
"A opinião dos líderes religiosos iranianos é que o Vaticano deveria se posicionar e condenar o ataque", declarou Mokhtari. "Mas se me perguntarem qual é a posição do Papa, não saberia dar uma resposta clara."
Apesar das críticas, o diplomata destacou que Teerã considera a posição do Papa importante no cenário internacional não apenas porque "líderes religiosos de todo o mundo condenam a opressão quando ela ocorre", mas porque o pontífice é visto no Irã como "uma referência para a paz mundial".
Mokhtari enfatizou ainda que o líder da Igreja Católica poderia desempenhar um papel relevante na promoção do diálogo e na redução das tensões.
"Vivemos em uma era em que os líderes governamentais são a favor da guerra, espalham o ódio e garantiram que os direitos humanos não sejam mais efetivos. Os líderes religiosos devem se unir para promover a paz mundial", ressaltou.
Durante a conversa, o embaixador também comentou a eleição do novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, dizendo que "o povo está feliz" e que a escolha "inspira os combatentes".
Ao abordar os ataques contra países vizinhos do Irã, Mokhtari afirmou que essas nações abrigam bases militares dos Estados Unidos e acrescentou que as instalações americanas também existem na Itália, mas, segundo ele, o governo de Giorgia Meloni não permite que ataques contra o Irã sejam lançados a partir de seu território.
Por fim, o diplomata declarou que o Irã continua aberto à diplomacia, embora considere que os esforços de negociação frequentemente terminem em "traição", e ressaltou a longa história do país: "O Irã não é a Venezuela, não é Iraque, não é Afeganistão. Tem 7 mil anos de história e todos entenderam que não podem acabar com o Irã em 24 horas."