O Irã classificou como "excessivas e irracionais" as propostas apresentadas pelos Estados Unidos, estruturadas em um plano de 15 pontos, para encerrar a guerra no Oriente Médio.
A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, nesta segunda-feira (30), segundo a emissora dissidente Iran International, com sede em Londres.
De acordo com ele, não houve qualquer contato direto entre os dois países, e as mensagens de Washington teriam sido transmitidas por intermediários, incluindo o Paquistão.
O porta-voz acrescentou que a posição de Teerã sobre as questões em discussão é clara e que o país permanece focado em seus próprios interesses estratégicos.
A negativa iraniana ocorre em meio às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que seu país estaria realizando negociações "direta e indiretamente" com o Irã.
Hoje, inclusive, a bordo do avião presidencial, o Air Force One, o republicano afirmou que ações militares recentes foram bem-sucedidas, destacando que diversos alvos foram atingidos ao longo do dia.
Além disso, Trump mencionou que houve gestos recentes interpretados como sinais de respeito por parte do Irã. Segundo ele, 20 navios de grande porte devem atravessar o Estreito de Ormuz a partir desta manhã, como parte desse movimento.
Apesar do tom otimista, o presidente adotou cautela ao comentar um possível acordo. Trump disse acreditar na possibilidade de um cessar-fogo em breve, mas ressaltou que não há garantias de que as negociações resultarão em um acordo final. "Queremos pedir mais algumas coisas", afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de envio de tropas terrestres, respondeu que existem diversas opções em análise. Já ao ser perguntado sobre a situação do aiatolá Mojtaba Khamenei, declarou que ele pode estar vivo, mas possivelmente "gravemente ferido".
Em entrevista ao Financial Times, Trump adotou um tom mais contundente ao afirmar que os Estados Unidos têm "muitas opções", incluindo medidas mais agressivas, como confiscar ativos estratégicos iranianos, entre eles o petróleo e a ilha de Kharg, principal centro de exportação do país.
O líder norte-americano explicou que sua "preferência seria tomar o petróleo", comparando a possível medida ao que ocorreu na Venezuela.
"Poderíamos tomar Kharg ou não. Temos muitas opções", disse, acrescentando que, em sua avaliação, os Estados Unidos poderiam fazer isso "com muita facilidade", pois não acredita que o Irã tenha defesas suficientes.
Por fim, o presidente afirmou acreditar que uma "mudança de regime" já teria ocorrido no Irã: "Tivemos uma mudança de regime. Um regime foi dizimado, o seguinte está completamente morto e agora estamos lidando com um terceiro regime, com pessoas diferentes das anteriores. E eu considero isso uma mudança de regime".
Posteriormente, Trump publicou uma mensagem em sua rede social reiterando que "os Estados Unidos estão em discussões sérias com o novo regime iraniano, mais razoável, para encerrar suas operações militares" e que "grandes progressos foram feitos".
No entanto, destacou que, "se por algum motivo um acordo não for alcançado e o Estreito de Ormuz não for aberto imediatamente, encerraremos nossa presença no Irã destruindo completamente suas usinas de energia, poços de petróleo e a Ilha de Kharg".