Segundo a proposta, o Irã deixaria de exercer controle exclusivo sobre a passagem marítima, que seria administrada de forma coletiva pelos países da região. O projeto prevê ainda um sistema de financiamento por contribuições voluntárias pagas por empresas que utilizam a rota.
A iniciativa seria inspirada no modelo adotado no Estreito de Malaca, entre Indonésia e Malásia, em que companhias marítimas contribuem voluntariamente para financiar a navegação, a proteção ambiental e operações de busca e salvamento.
A proposta surge em um momento de redução das tensões entre Teerã e Washington. Após quase duas semanas de ataques contínuos, os Estados Unidos interromperam na sexta-feira (24) seus bombardeios contra o Irã, enquanto o governo iraniano deixou de retaliar aliados americanos na região, alimentando esperanças de uma solução diplomática.
Apesar disso, o Irã declarou na segunda-feira (27) que continua controlando o Estreito de Ormuz e que não pretende retomar, neste momento, as negociações com os Estados Unidos.
Em contrapartida, o presidente americano Donald Trump afirmou na segunda-feira que mantém "boas conversas" com Teerã e voltou a dizer que um acordo é possível, embora tenha reiterado ameaças de novos bombardeios caso as negociações fracassem.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, informou que discutiu o futuro do Estreito de Ormuz com seus colegas de Omã e da Arábia Saudita. Segundo a diplomacia iraniana, Araqchi defendeu o fortalecimento da cooperação regional e dos esforços diplomáticos para garantir a estabilidade da região e reduzir a insegurança no estreito, atribuída por Teerã às ações dos Estados Unidos.
Irã é acusado de ataques contra rebeldes curdos no Iraque
Pelo menos 14 ataques com drones atingiram, desde segunda-feira, grupos rebeldes curdos iranianos instalados na região autônoma do Curdistão iraquiano. A informação foi divulgada nesta terça-feira por representantes das organizações afetadas, que atribuem as ações ao Irã.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, o Curdistão iraquiano, que abriga tropas americanas, empresas petrolíferas estrangeiras e grupos curdos iranianos exilados considerados terroristas por Teerã, tem sido alvo frequente de ataques atribuídos ao Irã e a milícias iraquianas pró-Irã.
As últimas investidas ocorreram antes do amanhecer desta terça-feira. Embora não tenham sido oficialmente reivindicados, os ataques provocaram danos materiais e incêndios, sem registro de vítimas.
Desde o início da escalada regional, a maioria dos grupos de oposição curdos iranianos transferiu ou evacuou suas bases e acampamentos no norte do Iraque. No episódio mais letal recente, nove integrantes do Komala morreram em 17 de julho em um ataque próximo à cidade de Suleimânia.
Com AFP