Uma investigação contra 23 médicos na Itália, suspeitos de emitir atestados para livrar imigrantes ilegais de centros de deportação, gerou forte reação de entidades de direitos humanos e advogados. A ação policial incluiu buscas e apreensões nas casas dos profissionais. Críticos, incluindo a ONG Médicos Sem Fronteiras, denunciam violações sistemáticas à saúde nessas unidades e temem a perda da autonomia médica, em meio ao endurecimento das políticas migratórias do governo italiano.
Diversos grupos italianos de defesa dos direitos humanos criticaram os promotores por investigarem médicos suspeitos de ajudar imigrantes sem documentos a evitar a permanência em centros de repatriamento.
As autoridades locais realizaram operações de busca e apreensão contra 21 infectologistas e dois psiquiatras vinculados a centros onde pessoas sem direito legal de permanecer na Itália ficam retidas enquanto aguardam a deportação.
Os promotores suspeitam que atestados médicos tenham sido emitidos para declarar estrangeiros sem documentos clinicamente inaptos a permanecer nos espaços de retenção.
"É essencial que seja reconhecido o direito dos médicos de exercerem sua função sem interferências", afirmou Chiara Montaldo, da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), em comunicado.
A representante descreveu as instalações como locais onde "o direito das pessoas à saúde é sistematicamente comprometido" e os direitos fundamentais são "sistematicamente violados".
Já uma associação de advogados especializados em imigração manifestou preocupação de que a investigação possa ser usada para reduzir os médicos à condição de "meros burocratas", encarregados de autorizar detenções sem qualquer verificação independente.
A entidade informou que as residências dos profissionais de saúde foram revistadas e seus telefones acabaram apreendidos durante as ações das forças de segurança.
A Itália conta atualmente com nove centros de retenção prévia à repatriação, e o governo italiano tem adotado medidas rígidas contra a imigração ilegal. O país também defende a criação de mais espaços do tipo fora da União Europeia, iniciativa apoiada por outros Estados-membros do bloco. .