Houthis do Iêmen atacam Israel em meio à guerra contra o Irã

É o primeiro ataque do grupo rebelde desde o início da guerra no Oriente Médio, há um mês

28 mar 2026 - 07h42
(atualizado às 07h50)

Os rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, reivindicaram, neste sábado, 28, seu primeiro ataque contra Israel desde o início da guerra no Oriente Médio, há um mês. Em um comunicado publicado na internet, o grupo, que controla a maior parte do norte do Iêmen, afirmou ter lançado mísseis contra instalações militares israelenses.

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Horas antes, as forças armadas israelenses disseram ter identificado um ataque vindo do Iêmen e que estavam trabalhando para interceptá-lo.

A guerra, que agora completa um mês, eclodiu depois que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, que retaliou com ataques contra Israel e os vizinhos Estados árabes do Golfo. O conflito afetou o transporte aéreo global, interrompeu as exportações de petróleo e fez os preços dos combustíveis dispararem. O controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica, também agravou as consequências econômicas da guerra.

Israel atacou instalações nucleares do Irã horas depois de ameaçar “intensificar e expandir” sua campanha contra Teerã na sexta-feira. O Irã prometeu retaliar e atacou uma base na Arábia Saudita, ferindo mais de uma dúzia de militares americanos e danificando aeronaves.

Antes do ataque de sábado, parecia haver um avanço, já que Teerã concordou em permitir a passagem de ajuda humanitária e cargas agrícolas pelo estreito.

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Envolvimento dos houthis pode complicar ainda mais a guerra

Combatentes Houthis
Combatentes Houthis
Foto: Reprodução | CNN Brasil

O brigadeiro-general Yahya Saree, porta-voz militar dos houthis, assumiu a responsabilidade em um comunicado transmitido na manhã de sábado pela emissora de televisão via satélite dos rebeldes, Al-Masirah. Ele disse que os houthis lançaram uma saraivada de mísseis balísticos contra o que descreveu como “alvos militares israelenses sensíveis” no sul de Israel. O ataque ocorreu horas depois de Saree ter sinalizado, em uma declaração vaga na sexta-feira, que os rebeldes entrariam na guerra.

Sirenes soaram na cidade de Beer Sheba, no sul de Israel, e na área próxima ao principal centro de pesquisa nuclear do país, enquanto o Irã e o Hezbollah continuavam a disparar contra Israel durante a madrugada. Explosões estrondosas também ecoaram em Tel Aviv, e o Serviço de Bombeiros e Resgate de Israel informou que estava atendendo a 11 locais de impacto diferentes em toda a região metropolitana.

O ataque de sábado levanta a questão de se os houthis voltarão a ter como alvo a navegação comercial que transita pelo corredor do Mar Vermelho, como fizeram durante a guerra entre Israel e o Hamas, prejudicando o transporte marítimo no Mar Vermelho, por onde passavam cerca de US$ 1 trilhão em mercadorias por ano antes da guerra. Os rebeldes também lançaram drones contra Israel.

O possível envolvimento dos houthis na guerra também complicaria a mobilização do USS Gerald R. Ford, o porta-aviões que atracou em Creta na segunda-feira para reparos. Enviar o porta-aviões de volta ao Mar Vermelho poderia levá-lo ao mesmo ritmo intenso de ataques enfrentados pelo USS Dwight D. Eisenhower em 2024 e pelo USS Harry S. Truman na campanha americana de 2025 contra os houthis.

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Os houthis controlam a capital do Iêmen, Sanaa, desde 2014 e, até agora, mantiveram-se fora da guerra, já que os rebeldes mantêm um cessar-fogo instável há anos com a Arábia Saudita, que lançou uma guerra contra o grupo em nome do governo exilado do Iêmen em 2015.

Mais de duas dezenas de soldados americanos ficaram feridos em ataques iranianos a uma base saudita na semana passada, segundo fontes da AP

Mais de duas dezenas de soldados americanos ficaram feridos em ataques iranianos à Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, na semana passada, segundo duas pessoas que foram informadas sobre o assunto. O Irã disparou seis mísseis balísticos e 29 drones contra a base no ataque de sexta-feira, que feriu pelo menos 15 soldados, incluindo cinco gravemente, segundo as fontes, que não estavam autorizadas a comentar publicamente e falaram sob condição de anonimato.

A base, localizada a cerca de 96 quilômetros (60 milhas) da capital saudita, Riade, sofreu dois ataques no início da semana, incluindo um que feriu 14 soldados americanos, segundo as pessoas informadas sobre o assunto. A base é administrada pela Força Aérea Real Saudita, mas também é utilizada por tropas americanas./AP E AFP

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