Guerras ignoram direito e buscam 'colonizar petróleo', diz Papa

Leão XIV chegou à Guiné Equatorial e, citando Francisco, criticou 'economia que mata'

21 abr 2026 - 11h00

O papa Leão XIV desembarcou nesta terça-feira (21) em Malabo, capital da Guiné Equatorial, última etapa de seu giro pela África, e denunciou a "proliferação" de conflitos armados que ignoram o direito internacional e são motivados pelo desejo de "colonizar" depósitos de petróleo.

    Em seu discurso para as autoridades locais, o líder da Igreja Católica alertou que a "rápida evolução tecnológica acelerou uma especulação conectada à demanda por matérias-primas, que parece ignorar necessidades fundamentais como a proteção da criação, os direitos das comunidades locais, a dignidade do trabalho e a proteção da saúde pública".

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    "A proliferação de conflitos armados tem entre seus principais motivos a colonização de depósitos de petróleo e minerais, sem levar em consideração o direito internacional e a autodeterminação dos povos", disse Leão XIV.

    O Papa não citou nenhuma guerra em específico, mas a declaração chega na esteira do conflito deflagrado por Estados Unidos e Israel contra o Irã, que provocou um choque global nos preços do petróleo e motivou ataques do presidente Donald Trump contra o pontífice.

    O mandatário definiu Robert Prevost, primeiro papa dos EUA na história, como "fraco" por condenar a guerra no Oriente Médio, porém Leão XIV respondeu no último fim de semana que não tinha "interesse" em "debater com Trump".

    Em seu discurso na chegada à Guiné Equatorial, o pontífice também citou seu antecessor, Francisco, cuja morte completa um ano nesta terça-feira. "Faço coro ao apelo do papa Francisco, que deixou este mundo exatamente um ano atrás: 'Hoje devemos dizer não a uma economia de exclusão e desigualdade. Essa economia mata'", afirmou.

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    Além disso, Leão XIV alertou que o mundo está "ferido pela prepotência, enquanto os povos têm fome e sede de justiça", e destacou que é preciso "acreditar na paz e ousar seguir políticas contracorrente, com o bem comum no centro".

    "O santo nome de Deus não pode ser profanado pelo desejo de dominação, pela arrogância e pela discriminação; acima de tudo, jamais deve ser invocado para justificar escolhas e ações de morte", salientou.

    Antes do discurso, o Papa teve um encontro com o presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, chefe de Estado mais longevo do mundo sem ser um monarca. Obiang é acusado de autoritarismo e de violações dos direitos humanos e comanda o país africano, um dos mais pobres do mundo, há quase 47 anos.

    Leão XIV é o segundo pontífice a visitar a Guiné Equatorial, juntando-se a São João Paulo II, que esteve no país em 1982. Com cerca de 2 milhões de habitantes, essa nação da África Subsaariana tem população 80% católica, legado da colonização espanhola, e é rica em petróleo.

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    O Papa fica na Guiné Equatorial até quinta-feira (23), quando retorna ao Vaticano. Antes disso, ele já passou por Argélia, Camarões e Angola em seu tour pela África. .

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