"De acordo com estimativas preliminares, entre 600 mil e 1 milhão de famílias iranianas estão atualmente deslocadas temporariamente dentro do país devido ao conflito em curso, representando até 3,2 milhões de pessoas", disse Ayaki Ito, diretor da Divisão de Apoio a Emergências e Programas do ACNUR, em um comunicado.
"A maioria delas está fugindo de Teerã e de outros grandes centros urbanos em busca de refúgio no norte do país e em áreas rurais", acrescentou, observando que "esse número deve continuar a aumentar enquanto as hostilidades persistirem".
Os Estados Unidos e Israel lançaram conjuntamente uma grande ofensiva contra o Irã em 28 de fevereiro. Essa ofensiva desencadeou uma guerra em todo o Oriente Médio. Os ataques aéreos continuam nesta quinta-feira no Irã, marcando o 13º dia do conflito.
Situação dos refugiados
O ACNUR também procurou chamar a atenção para a situação dos refugiados no Irã. "As famílias de refugiados acolhidas no país — a maioria afegãs — também estão sendo afetadas. Sua situação precária e as redes de apoio limitadas as tornam particularmente vulneráveis", alertou Ito.
"Diante da crescente insegurança e do acesso restrito a serviços essenciais, essas famílias estão deixando as áreas afetadas pelo desastre", acrescentou, especificando que o ACNUR "está trabalhando com as autoridades nacionais e parceiros para avaliar as necessidades emergentes e fortalecer sua preparação diante do aumento dos movimentos populacionais".
Em sua declaração, o ACNUR enfatizou ainda "a necessidade urgente de proteger os civis, manter o acesso humanitário e garantir fronteiras abertas para aqueles que buscam segurança, em conformidade com as obrigações internacionais".
Além do Irã, o Líbano também enfrenta uma crise humanitária, com cerca de 800 mil deslocados, segundo autoridades libanesas.
A representante do ACNUR no Líbano, Karolina Lindholm Billing, alertou em Genebra, na terça-feira, que "o número de deslocados continua a aumentar".
"A maioria fugiu às pressas, praticamente sem nada, e está buscando refúgio em Beirute, no Monte Líbano, no norte do país e em partes do Vale do Bekaa", explicou ela.
O Líbano é uma vítima colateral da guerra de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã. Os ataques israelenses, que têm como alvo o movimento pró-iraniano Hezbollah, já mataram 687 pessoas, segundo as autoridades do país.
Com AFP