ONGs alertam para onda de abandono de cachorros e gatos em Dubai após início da guerra

Organizações de proteção animal alertam para um aumento no abandono de animais em Dubai após o início da guerra no Oriente Médio. Segundo as ONGs, muitos estrangeiros que vivem nos Emirados Árabes estão deixando o país às pressas e abandonando seus cães e gatos.

12 mar 2026 - 12h18

"Um cachorro jamais abandonaria seu dono para salvar a própria pele. Cães estão prontos para ir à guerra para ficar com seus humanos. Essa é a grande diferença entre lealdade… e conforto", escreveu uma das organizações.

Imagem de ilustração. Guerra no Oriente Médio provoca aumento no abandono de animais domésticos em Dubai.
Imagem de ilustração. Guerra no Oriente Médio provoca aumento no abandono de animais domésticos em Dubai.
Foto: AFP - BERTRAND GUAY / RFI

A publicação foi uma resposta à polêmica que tomou as redes sociais depois que a influenciadora Maddy Burciaga foi acusada de deixar Dubai para se refugiar nas Ilhas Maurício — território francês no Pacífico — com o companheiro, Benjamin Samat, e o filho, deixando sua cadela Maya aos cuidados da babá. Burciaga afirmou que os procedimentos administrativos para viajar com o animal eram "muito complicados devido ao excesso de burocracia".

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A ONG Liga dos Animais criticou a influenciadora no X, classificando sua atitude como "vergonhosa".

"Mesmo que ela quisesse 'proteger' sua família buscando refúgio em outro lugar, poderia ao menos ter iniciado o processo de repatriação da cachorra. Ela não fez isso. Tentar pedir estratégia ou um pouco de reflexão séria a alguém tão superficial… é causa perdida", publicou a associação.

Diante da repercussão negativa, Maddy Burciaga tentou esclarecer o caso em seu Instagram, na quarta-feira. "Eu jamais abandonaria minha cachorra. Ela é meu bebê; faz parte da nossa família. Quando viajamos, Maya fica aos cuidados de outra pessoa", afirmou nos stories. A influenciadora também disse que deixou Dubai apenas temporariamente e que pretende voltar "mesmo que a situação não melhore".

O caso, porém, não se restringe aos franceses, e tampouco é um fenômeno totalmente novo nos Emirados Árabes Unidos. O sistema de vistos instável e o alto custo para transportar animais já fazem do abandono um problema recorrente. Mas, segundo várias organizações locais, a situação se agravou nos últimos dias com o êxodo de expatriados.

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Há relatos de cães amarrados a postes de luz ou a latas de lixo, às vezes acompanhados de um bilhete de desculpas dos donos. Gatos vêm sendo deixados em caixas de papelão próximas à fronteira, especialmente em Omã. A ONG K9 Friends Dubai afirma que alguns tutores chegam a solicitar a eutanásia de animais saudáveis para evitar lidar com a burocracia.

Burocracia

Embora condenem os abandonos, as organizações reconhecem que os procedimentos para deixar os Emirados com um animal são complexos. Para entrar na União Europeia é necessário apresentar certificado de vacinação antirrábica válido, exame de titulação de anticorpos, além de documentos veterinários e certificados de exportação emitidos pelas autoridades locais, processos que podem levar meses.

A situação se complica quando expatriados precisam passar por outros países antes de chegar ao destino final. "Por exemplo, para entrar em Omã com um animal, são exigidos documentos específicos, vacinas atualizadas e exames de sangue que levam de duas a três semanas. Algumas pessoas simplesmente vão embora e abandonam seus animais", explicou o administrador da conta UAE Animal Community, entrevistado pelo jornal alemão Bild.

Em destinos como as Ilhas Maurício, é obrigatória uma quarentena em centros especializados. Além disso, segundo a imprensa francesa, companhias aéreas estariam restringindo o transporte de animais devido ao baixíssimo tráfego aéreo.

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A Fundação Brigitte Bardot destacou que esses prazos se tornam impossíveis de cumprir em situações de fuga urgente. A entidade lembrou que, durante a guerra na Ucrânia, em 2022, uma medida excepcional permitiu que refugiados entrassem na Europa com seus animais, apesar das exigências sanitárias. A organização renovou o pedido diante do atual conflito no Oriente Médio.

A solicitação foi atendida na quarta-feira pelo Ministério da Agricultura da França. "A Direção-Geral de Alimentos está implementando, até 30 de abril de 2026, uma medida especial que permite a entrada na França de cães e gatos que acompanham seus donos provenientes da Síria, Líbano, Israel, Iraque, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã, Jordânia, Iêmen, Palestina, Bahrein e Catar, mesmo que não atendam aos requisitos sanitários europeus de importação", informou o ministério.

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