Governo Trump planeja destinar US$4 mi à mídia de direita na Europa, dizem fontes

31 ago 2026 - 21h05
Resumo
O governo Donald Trump planeja destinar US$ 4 milhões para fortalecer a mídia de direita na Europa, integrando um pacote de ao menos US$ 25 milhões para causas conservadoras na região. O Departamento de Estado norte-americano prevê financiar consórcios jornalísticos e analisar temas como migração e soberania. A iniciativa aumentou o atrito diplomático com líderes europeus, que acusam Washington de interferir em seus processos eleitorais internos e na política regional.

O governo do presidente Donald ‌Trump planeja gastar US$4 milhões para fortalecer a mídia de direita na Europa, como parte de um pacote de pelo menos US$25 milhões destinado a grupos da sociedade civil que atuam em causas conservadoras na região, segundo quatro pessoas a par do financiamento.

Essas verbas correm o risco de aprofundar as tensões entre o governo Trump e os governos europeus, alguns dos quais já acusaram Washington de ⁠interferir em sua política interna.

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O Departamento de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL) do Departamento de Estado dos ‌EUA afirma que o financiamento tem como objetivo fortalecer os laços transatlânticos e promover a liberdade de expressão. Isso ocorre no momento em que os países europeus se preparam para eleições nos próximos ‌dois anos e em que o governo Trump apoia abertamente ‌os partidos populistas de direita e de extrema-direita da Europa.

O Departamento de Estado notificou o ⁠Congresso sobre sua intenção de alocar esses recursos em 21 de agosto, segundo as fontes, que falaram sob condição de anonimato para discutir os planos.

Um total de US$3 milhões foi destinado a um programa para "documentar e analisar o retrocesso democrático na Europa no que se refere à migração em massa e ilegal, ao panorama da mídia independente e às agendas legislativas de entidades supranacionais", segundo as fontes.

Outro ‌US$1 milhão tem como objetivo criar um consórcio de jornalistas independentes que cubram temas como soberania nacional, ‌direitos naturais e liberdade religiosa na ⁠Europa, acrescentaram.

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A Reuters não ⁠conseguiu determinar quais organizações ou jornalistas provavelmente receberão os recursos.

Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que o DRL ⁠não financia partidos políticos e que o governo Trump ‌continua comprometido com a defesa da ‌democracia e dos direitos humanos em todo o mundo, inclusive na Europa.

A Comissão Europeia não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

FOCO NAS VOZES CONSERVADORAS

O governo Trump se afastou em grande parte da tradicional promoção pelos Estados Unidos da democracia e dos direitos humanos, concentrando-se, em ⁠vez disso, em questões econômicas e comerciais.

Também tem defendido causas seletivas, particularmente aquelas ligadas a políticos de direita e ao que considera uma censura às vozes conservadoras na internet.

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Cerca de US$10 milhões em financiamento já foram divulgados por meio de três editais do Departamento de Estado para candidatos, publicados em julho e agosto. O edital de financiamento de ‌21 de agosto faz parte de um montante adicional de pelo menos US$15 milhões, elevando o valor total das verbas destinadas a trabalhos relacionados à Europa para um mínimo de US$25 milhões.

O financiamento ⁠provocou reações negativas de algumas capitais europeias.

"A França e os europeus não tolerarão nenhuma tentativa de interferência estrangeira em seus processos eleitorais, independentemente de onde venha", escreveu o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, no X em julho, em resposta aos anúncios de financiamento.

As subvenções para a Europa fazem parte de uma proposta de financiamento mais ampla do Departamento de Estado, totalizando quase US$180 milhões, que inclui uma combinação de programas, entre eles subvenções para documentar "abusos" contra comunidades minoritárias na África do Sul e apoiar a sociedade civil no combate à "ingerência judicial e à censura" no Brasil.

O pacote de financiamento inclui inúmeras subvenções para a promoção tradicional da democracia, com foco em governos opressivos, como os da China e da Coreia do Norte.

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Espera-se que o financiamento seja finalizado até o final de setembro, segundo três pessoas a par das iniciativas.

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