"Esperamos novamente temperaturas mais elevadas a partir de sexta-feira (3) e do próximo fim de semana, com condições anticiclônicas vindas do sul do país", afirmou à AFP o meteorologista Patrick Galois. Segundo ele, os termômetros deverão registrar "temperaturas muito elevadas, provavelmente acima dos 35°C", embora nem todas as regiões francesas sejam afetadas.
O novo episódio é previsto antes mesmo do encerramento oficial da onda de calor que atingiu o país nos últimos dias. Nesta terça e quarta-feira, quatro departamentos do sudeste da França permanecem sob alerta laranja devido às altas temperaturas, o terceiro nível em uma escala de quatro, que indica risco significativo.
A ministra francesa da Transição Ecológica, Monique Barbut, já havia advertido na semana passada que os modelos da Météo-France indicavam "fortes probabilidades" de retorno do calor extremo até 14 de julho. Na segunda-feira, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu também admitiu essa possibilidade, afirmando que os dispositivos de emergência adotados durante o episódio recente "funcionaram bem".
Além das altas temperaturas, os meteorologistas alertam para um fator agravante: a ausência de chuvas significativas entre os dois episódios de calor. Segundo Patrick Galois, esse intervalo seco acelera o ressecamento do solo e aumenta o risco de incêndios florestais em diversas regiões do país.
Na região de Paris, embora o alerta laranja para canicule tenha sido suspenso, a prefeitura decidiu manter parte das medidas emergenciais adotadas durante o pico do calor. Segundo a administração municipal, os efeitos das temperaturas extremas ainda persistem, já que edifícios e áreas urbanas continuam retendo o calor acumulado ao longo de vários dias.
Parques e jardins acessíveis
A maior parte dos 550 parques e jardins municipais de Paris permanecerá aberta 24 horas por dia para oferecer áreas mais frescas à população. A prefeitura também prorrogou o funcionamento da área de banho no Canal Saint-Martin, no leste da capital, aberta diariamente das 15h às 21h, e orientou os moradores a ventilar as residências durante a noite e nas primeiras horas da manhã para dissipar o calor acumulado no interior dos imóveis.
As autoridades sanitárias seguem preocupadas com os efeitos do calor intenso sobre a saúde da população, especialmente entre idosos e pessoas vulneráveis. Em um primeiro balanço, a agência de saúde pública da França estimou que cerca de 1 mil mortes a mais do que o esperado foram registradas no país desde o início da onda de calor, na última quarta-feira (24).
No domingo (28), a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que mais de 1.300 pessoas morreram na Europa em consequência da onda de calor que atinge o continente desde 21 de junho.
Para o epidemiologista Basile Chaix, diretor de pesquisa do Instituto Nacional Francês de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm), as ondas de calor provocam entre 1 mil e 7 mil mortes por ano na França. "É possível supor que, neste verão, estaremos mais próximos de 7 mil do que de 1 mil mortes", afirmou à AFP.
Episódios de calor vão ser o padrão
Especialistas alertam que episódios como este tendem a se tornar mais frequentes. Um relatório divulgado em 11 de junho por 70 cientistas de 17 países concluiu que o aquecimento global continua se intensificando e que a elevação do nível dos oceanos está se acelerando. Na mesma linha, o observatório europeu Copernicus advertiu que eventos climáticos extremos estão deixando de ser exceção para se tornar "o novo padrão".
A nova onda de calor ocorre em meio a um cenário de temperaturas extremas em diversas partes do mundo. Enquanto o calor perde força em parte da Europa, mais de 95 milhões de pessoas no continente ainda devem enfrentar temperaturas superiores a 35°C em algum momento desta terça-feira, segundo cálculos da AFP.
Portugal também se prepara para um novo episódio de calor intenso, que poderá durar pelo menos uma semana e levar os termômetros a 44°C. Nos Estados Unidos, uma intensa onda de calor também ameaça bater recordes de temperatura e afetar tanto a Copa do Mundo da Fifa quanto as comemorações pelos 250 anos da independência do país.
Com agências